Temporada All Stars de Canada’s Drag Race esbanja estratégia mas abre mão de surpresas

Em apenas seis episódios, derivado da franquia original inovou em formato e coroou uma favorita com fama de roubada

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No painel, um grupo de jurados formado pelas drags mais bem-sucedidas da franquia. No palco, um grupo eclético de competidoras provenientes das seis temporadas originais – e uma solitária expatriada estadunidense – briga pelo título de primeira All Star do Canada’s Drag Race. Em apenas seis episódios, a franquia que melhor usa criatividade e invenção coroou a representante Aurora Matrix e devolveu diversão ao cenário do reality show.

A lendária comediante Kathy Griffin fez presença ilustre na estreia, Miss Charisma, Uniqueness, Nerve, and Talent Pageant, um amontoado de clichês dos concursos de beleza que elegeu a veterana Pythia como campeã da semana. Em sua terceira passagem pelo programa, depois de um vice-campeonato na season 2 e um amargo sétimo lugar no Global All Stars, a engenhosa rainha grega não teve tempo de comemorar: foi eliminada, de maneira chocante, na semana seguinte.

Metal e futurismo: a promo do All Stars canadense colocou suas nove competidoras em trajes fosforescentes e dignos de divas tecnológicas (Foto: World of Wonder)

Antes do ultimato, o formato repaginou o Golden Beaver, dando às queens salvas e no Top a chance de votar na rainha que desejam salvar do Lip Sync. Nearah Nuff caiu no Bottom 2 ao lado da surpresa por estar ali Jackie Cox, uma das personalidades marcantes da season 12 dos Estados Unidos, que fez valer a certidão de nascimento canadense e escolheu o Norte para competir em seu retorno a Drag Race.

Ao som de Raye correndo atrás de saber onde diabos está seu marido, Nearah colocou o status de Assassin à prova e mandou Jackie de volta à América. Queixos caídos, mas não tanto como no final de Song of the Summer, o episódio que contou com Rebecca Black no painel e, ao som de sua TRUST!, viu Makayla Couture, vice-campeã da season 5, eliminar Pythia. 

O All Stars também contou com a participação de Suki Doll, no Design Challenge, e da comediante Robby Hoffman, um dos pontos altos da temporada (Foto: World of Wonder)

O desafio era uma das kriptonitas da look queen, que caiu na armadilha das coreografias de um girl group e não teve chance de respirar frente aos malabares físicos de Makayla, com quem Pythia divide sua família drag desde seu encontro no Makeover. Nem o tema Camp da passarela ajudou Pythia, que se amarrou em trapos e desfilou como Cleópatra. 

Viciado em inovar no formato já batido da competição, o Drag Race do Canadá apresentou o inédito The Design Auction, onde as queens deveriam disputar em leilão itens para o desafio de construção e costura. Aurora Matrix, a “rainha roubada” da season 4, venceu dois desafios consecutivos, acumulando o Girl Group e o Design, mostrando que sua fama de campeã sem coroa não era balela. Pena que, entre tanta criatividade, os produtores decidiram que o título era dela e de ninguém mais, privando a temporada de reconhecer um talento emergente ou inesperado.

Disputado como Round 1 do episódio Win To Get In, o Snatch Game foi vencido por Sami como Céline Dion, e teve imitações de Connor McDavid, Bretman Rock, TS Madison e da prefeita Olivia Chow (Foto: World of Wonder)

Os resultados colocaram Tiffany And Co. no início de sua luta pela sobrevivência. A early-out da season 5 eliminou Juice Boxx, PorkChop inaugural da franquia, e depois passou raspando dos Lip Syncs ao alegar que, ao lado de grandes competidoras como Aurora ou Makayla, era mais sábio mantê-la na disputa. Deu certo: no episódio Drag Prime Minister, após a vitória de Nearah, Tiffany defendeu a permanência e ajudou a colocar as duas monstruosas competidoras na beira do Sashay Away. Nisso, Makayla rodou.

Para determinar as finalistas, voltou à cena a competição em quatro fases, cada uma baseada em uma letra do lema C.U.N.T.. A fantástica e hilária Sami Landri, recém-saída da season 6, venceu o Snatch Game. Aurora foi a melhor na sessão de fotos numa casa de bonecas, e a relutante Jada Shada Hudson, vice-campeã da season 3, saiu-se melhor na escrita de versos para uma música melancólica. Sobraram Nearah e Tiffany, dublando Into You, de Ariana Grande, e definindo a eliminação daquela que, apesar de não conseguir vencer desafios ou ser elogiada pelos jurados, redimiu sua trajetória.

Realeza original: Lemon juntou-se às suas sisters coroadas da primeira temporada e deixou apenas Brooke no painel sem um título de Drag Race (Foto: World of Wonder)

Os mini-desafios do All Stars brincaram com futebol (no ano em que o país sediou a Copa do Mundo) e com um detector de mentiras (momento agraciado pela presença de Melinda Verga). Houve, também, homenagens aos mais icônicos looks do passado do programa – para o bem ou para o mal. Na passarela, categorias de tema mais livre embalaram apresentações sem igual: Camp, Looking Good, Feeling Gorgeous, Lavender Haze e Dollhouse foram alguns dos destaques. 

Na Grande Final, um breve reencontro selecionou Juice como Miss Simpatia, e Brooke Lynn Hytes e suas juradas fixas Priyanka e Jimbo elegeram o Top 2 da temporada: Nearah Nuff e Aurora Matrix duelaram ao som de Perfect Celebrity, de Lady Gaga. Eliminadas antes da briga pela Coroa, Jada e Sami provaram sua competência e, numa season com mais episódios e menos decisões tomadas previamente, poderiam até chegar mais longe. Não foi o caso, e a trajetória de Aurora, que não agregou muito à sua história ou às suas habilidades conquistadas entre a season 4 e o presente, concretizou-se no título inédito da franquia canadense. 

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