Menos impactante, 2ª temporada de X-Men ’97 acelera, acelera e acelera

O vilão Apocalipse ganha foco difuso na nova temporada da animação

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A ameaça de Apocalipse (Ross Marquand) é a constante que abre X-Men ‘97. Entre passado, presente e futuro, os mutantes foram separados e precisam, cada grupo acessando o que lhes cabe, retornar para seu tempo e derrotar o vilão, que ganha suas alcunhas pregressa e avançada.

No Egito Antigo, En Sabah Nur escuta os conselhos do Professor X (também dublado por Ross Marquand), mas sucumbe aos planos do maligno Rama-Tut (John de Lancie), variante de Kang, o Conquistador, e cumpre a profecia, matando Magneto (Matthew Waterson) e viajando para o futuro, onde o grupo composto por Jean (Jennifer Hale), Ciclope (Ray Chase) e um jovem Nathan Summers (Michael Johnston, de Obsessão) tentará dar cabo do inimigo.

Em forma de homenagem, referência e ferramenta narrativa, Morph assume as formas de Thor, Wolverine, Sasquatch, Puck, o Coisa, Guardião, Deadpool, Ciclope, Jean Grey, Doutor Octopus e Homem-Aranha ao longo da temporada (Foto: Disney+)

A saga do Apocalipse, um marco nas HQs e adaptada para os cinemas na década de 2010 pela Fox, daria uma temporada e tanto para a animação, mas os problemas de gestão e troca de comando nos bastidores tornaram o novo ano um amontoado de pequenas joias.

O problema de ansiedade narrativa mantém-se vigente na segunda temporada, que produz episódios frenéticos, com muito a dizer e pouquíssimo tempo de reflexão. Além disso, o roteiro intercala tramas do Primeiro Mutante com arcos individuais de personagens coadjuvantes. Se por um lado a decisão engasga o ritmo de X-Men ‘97, por outro, o público ganha o bálsamo de ver os heróis em ação.

Exemplo concreto da ansiedade narrativa: o retorno de Polaris é atravessado pela ascensão da vilã Danger, voz de Rachel Kimsey, a sala de treinamento da mansão que ganha consciência e desafia Xavier (Foto: Disney+)

Com abertura dedicada, o grupo insurgente X-Force protagoniza o episódio 2 da temporada. Em A Force to Be Reckoned With, Jubileu (Holly Chou) enfim tem seu potencial reconhecido e, ao lado de um temeroso Mancha Solar (Gui Agustini) nas ruas do Rio de Janeiro durante o Carnaval, derrota os planos do vilão da vez. Cable (Chris Potter), Arcanjo (Christopher Barger) e Psylocke (Naoko Mori) compõem o restante da equipe, assumindo o tranco de proteger a década de 90 enquanto os protagonistas estão perdidos no tempo.

Weapon X, Lies, and DVDs é inteiramente dedicado à epopeia de Wolverine (Cal Dodd) em busca de suas garras de Adamantium, poder que lhe foi extirpado na temporada anterior. Brincando com o gênero do horror de invasão e possessão, o episódio reúne figuras recorrentes dos gibis do Carcaju, ao mesmo tempo em que evidencia o trágico e insuperável amor que Morph (JP Karliak) nutre pelo colega de time. Com visuais brutais e sangue alienígena para tudo que é lado, X-Men ‘97 se arrisca ao desviar do óbvio e colhe os frutos.

Com apenas nove episódios, a temporada divide o foco da história principal e deixa gosto apressado (Foto: Disney+)

De novidade em relação ao ano inicial, a presença de Polaris (Carolina Ravassa) movimenta a moralidade e a lealdade dos mutantes, já que a filha renegada de Magneto passou de pupila de Xavier para integrante da X-Factor, grupo de mutantes sob o comando do governo que caça e prende os rebeldes de sua espécie. Poderosa e disposta a abraçar o legado do pai morto, Polaris domina a tela e conquista o carinho dos mais céticos.

Já o boa-praça Noturno (Adrian Hough) ganha o holofote em Strange Land, Savage Heart, quando seu meio-irmão corrupto, Graydon Creed (Ben Pronsky), é sentenciado sem direito a um julgamento. Os princípios morais do filho abandonado de Mística ativam o protocolo que coloca Colossus (Robert Cait) no papel de juiz e, por meia hora, destaca os crimes e os direitos de um político violento contra a raça mutante. É interessante do ponto de vista filosófico e combina perfeitamente com o caráter do personagem, mas o capítulo pesa no plano geral e apenas atrasa a chegada de um Gambit completamente transformado (A.J. LoCascio).

A figura maléfica de Gambit assume o protagonismo na reta final, quando sua amada recorre aos Celestiais e faz um sacrifício inestimável (Foto: Disney+)

Ressuscitado como Cavaleiro do Apocalipse, Gambit reverte a tragédia que acometeu Genosha na primeira temporada e testa a lealdade de uma baqueada Vampira (Lenore Zann). O momento é ofuscado pela quantidade avassaladora de acontecimentos: além da batalha mental do antigo herói contra Charles, há a corrupção de Noturno (numa pancadaria que coloca os Ômegas no chinelo) e a revelação de que é o próprio vilão que habita o corpo que ele faz de arauto.

A demissão de Beau DeMayo e a promoção de Matthew Chauncey, responsável pelas anêmicas temporadas de What If, apontam para um cenário menos criativo ou transgressivo para os X-Men. Aliás, a Marvel encaminha sua apresentação também em carne e osso, com a chegada de Jean Grey em Homem-Aranha 4 e a lenta oficialização do restante do elenco. Com a promessa de uma nova season de ‘97 todo ano, a esperança que fica é a de que o material base seja robusto o bastante para nutrir fãs pelo futuro indefinido.

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