Publicado de forma independente em 2018 como uma guinada drástica do habitual romance contemporâneo que se tornou a marca registrada da autora Colleen Hoover, o suspense Verity dobra as expectativas de quem lê com uma espiral de mentira, ficção e criatividade. Quando Lowen Ashleigh é tentada com a proposta de finalizar uma série de livros após um acidente com a escritora original, ela se muda para a casa da mulher e mergulha em seu passado.
Verity Crawford está paralisada física e mentalmente desde o acidente de carro que quase ceifou sua vida. Cuidada por enfermeiras e pelo marido Jeremy, de quem Lowen se aproxima em velocidade relâmpago, a escritora fez sucesso com uma coleção de romances que usam do ponto de vista da vilã. Após seis publicações, cabe a Lowen vasculhar as anotações de Verity e dar cabo da história.
O problema é que, quando começa a investigação, a protagonista encontra um manuscrito autobiográfico que narra com detalhes e horror o início do casamento com Jeremy, o nascimento (e morte) das filhas gêmeas e do caçula Crew. Além, é claro, de revelações sórdidas de uma mãe negligente e perigosa para as crianças. Presa entre devorar aquele segredo e continuar seu trabalho enquanto se apaixona pelo marido de Verity, a personagem principal coloca o leitor em uma anestésica experiência de voyeurismo.

No limiar entre a ficção e a realidade (e os determinantes que separam uma da outra), Colleen Hoover decide descrever relações pessoais no lugar das psicológicas. Quando os personagens assumem características tão unidimensionais como num melodrama barato, Verity perde qualquer relevância, assumindo sem vergonha o status de romance construído por e para viradas dramáticas, o que esvazia qualquer senso de importância e novidade.
Pouco importa se você acredita no manuscrito ou crê nas palavras da carta, o único elemento que se distingue ao fim das quase quatrocentas páginas é uma insatisfação feroz e quase infantil: daquele tipo de sucesso literário fast-food que nem se dá ao trabalho de divertir ou excitar. É chamativo, incandescente e abundante na arte de encher linguiça. A esperança é que a vindoura adaptação com Anne Hathaway, Dakota Johnson e Josh Hartnett dê alguma injeção de energia ao material base.


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