Tradição e modernidade colidem no sem graça Toy Story 5

Com Taylor Swift na trilha sonora, quinto filme da saga animada troca o protagonismo e mira o futuro

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Astronautas, a vida adulta e uma boneca bizarra já se mostraram empecilhos para os protagonistas de Toy Story, a saga original da Pixar que amadurece e chega ao quinto filme lidando com a ascensão da tecnologia. Protagonista da vez, Jessie (voz de Joan Cusack) deverá bater de frente com Lilypad (Greta Lee), aquisição inédita da pequena e solitária Bonnie (Scarlett Spears).

Em Toy Story 5, a direção fica a cargo de Andrew Stanton, assinando ao lado da codiretora McKenna Harris, que aprimora as ferramentas de animação para entregar em visual o que carece de sustância. Ciente de que o primor da história passou do ponto, o filme banca sua existência na beleza e no maravilhamento deste mundo, conhecido nosso de décadas, e ainda provando-se território de surpresas e reviravoltas.

Na versão dublada em português, Maísa e Rafael Infante são as vozes de Lilypad e Amigo Rolinho (Foto: Disney)

Para todo o apreço estilístico, a história abandona à mercê qualquer senso de novidade ou importância. Xerife em atividade, Jessie quer que Bonnie faça amizades, mas o mundo mudou desde os tempos em que a boneca era propriedade de Emily, a dona original que lhe traumatizou por toda a existência.

A vizinhança está assombrada por aparelhos, luzes noturnas e brinquedos abandonados, inquietos e aterrorizados. Ao lado de Bala no Alvo, que ganha a inédita voz de Alan Cumming numa sequência de fantasia, a vaqueira conhece os coadjuvantes da vez e luta para que os planos se concretizem e a sua criança deixe a tristeza de lado.

Durante a sequência na floresta, quando os Hi-Tech Buzzes encontram um cervo e outros animais silvestres, a música “Love Is a Song”, de Bambi, toca ao fundo (Foto: Disney)

Na ausência dos icônicos brinquedos originais, usados como adereço de cena e sem a importância que lhes era de direito, Toy Story 5 apresenta o Amigo Rolinho (Conan O’Brien), Clica (Shelby Rabara) e Atlas (Craig Robinson), aparelhos que ajudaram na infância de Blaze (Mykal-Michelle Harris), a menina da fazenda que agora só tem olhos para a modernidade. Para fins de resolução e encerramento, o filme ainda convoca um exército de inocentes Buzz Lightyears (Tim Allen), perdidos numa ilha e dispostos a cruzar o mundo atrás de sua tropa espacial.

O caubói Woody (Tom Hanks) chega ao resgate quase que por acidente, deixando que Betty (Annie Potts) e companhia tirem o fim de semana de folga enquanto o outrora protagonista se une ao astronauta para resgatar Jessie e reaver o bem-estar da garota. Do lado de lá, Lilypad é uma vilã incompreendida e que não demora a perceber o tamanho da encrenca e se unir aos mocinhos e mocinhas.

Este é o décimo filme da Pixar com trilha sonora de Randy Newman e o primeiro da franquia Toy Story a não incluir uma música interpretada por ele, que continua responsável pela trilha original (Foto: Disney)

Atando a história atual à origem de Jessie, Toy Story 5 adiciona uma música original de Taylor Swift para inflar o pedigree da animação, lançada em meio à seca criativa do estúdio de animação, refém de propriedades consagradas e de continuações desenfreadas. A balada country I Knew It, I Knew You cai como luva para a atual concepção da saga: é insípida, por vezes nostálgica e carregada da falsa sensação de importância que tal momento está longe de merecer.

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