Shrek – O Musical faz comédia para quem não larga o celular

Coleção de piadas ofusca o cerne da história do ogro clássico da Dreamworks

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Quem se senta nas superfaturadas poltronas do Teatro Renault para assistir a Shrek – O Musical já sabe o que esperar: capricho visual, tempestade de cores e um espetáculo popular que esgota ingressos e coloca a plateia abaixo com a comédia. Adaptado da Broadway e sob direção de Gustavo Barchilon, a peça é rica em risadas.

Na história, vemos vislumbres das infâncias de Shrek e Fiona, fadados ao destino que só será concretizado após o Lord Farquaad (em exigente interpretação corporal cômica de Baccic) mandar todas as criaturas de contos de fadas para o pântano do ogro.

Estrelas de Wicked – O Musical, Myra Ruiz e Fabi Bang revezam o papel da princesa Fiona (Foto: Atelier de Cultura)

A coleção de figuras ganha a companhia de Emília, Cuca e até de Elphaba, reivindicando a terra em que moravam e, nos melhores momentos da peça, cantando sobre pertencimento e individualidades. Em poucas linhas, personagens como Pinóquio (Mateus Ribeiro), Biscoito e a família dos Ursos ganham personalidade e conquistam nossa simpatia.

Shrek – O Musical se centra numa performance cativante de Tiago Abravanel, que carrega parte do peso do personagem e sabe, como ninguém, enfeitiçar quem assiste, totalmente entregue aos modos, comportamentos e esquisitices do clássico ogro verde.

Amanda Vicente dá voz à Dragona, com apoio físico de uma marionete imensa e de cair o queixo (Foto: Atelier de Cultura)

Seu contraponto romântico, uma Fiona interpretada por Myra Ruiz, que ganha a euforia dos fãs de Wicked e mostra os talentos mais cômicos do que dramáticos que a princesa aprisionada demanda. No topo da torre, ela canta com seus eus do passado, e também se farta da espera pelo príncipe encantado. 

Mas há algo de errado no título da peça: o Burro Falante de Evelyn Castro rouba a cena e quase vira personagem principal da atração, com piadas atuais (e datadas), muitas referências à cultura pop nacional vigente e até um número onde passeia pelos quatro cantos do cenário, andando de cabeça para baixo e impressionando Shrek e público.

Os números musicais ganham adereços pontuais, como as bolhas de sabão que recobrem a cantoria do Lord Farquaad (Foto: Atelier de Cultura)

A ciência de que o humor é caricato, um pouco brega e perfeito para quem consome qualquer trend online com data de validade expirada, faz de Shrek – O Musical uma pedida riquíssima para as crianças pequenas e os adultos, mas principalmente para aqueles dispostos a morrer de rir com um viral do TikTok ou uma frase que o último BBB colocou no léxico popular. Fique para os créditos, quando elenco e equipe se juntam para performar a vibrante I’m a Believer.

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