Sem Snatch Game ou Reading, All Stars 11 termina minguado

Crystal Methyd consagrou-se campeã do Torneio com 4 vitórias em cinco episódios disputados

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Ao final de toda temporada estadunidense de Drag Race, o ritual é o mesmo: espécie de autópsia das razões que fizeram, apesar do alto valor de produção e de momentos marcantes, a Corrida deixar um gosto amargo. Com o All Stars 11, a resposta está nos detalhes.

A começar pela estrutura dos brackets, que subtrai sinergia e momentum das competidoras, o Torneio termina em anticlímax. No palco principal, as seis sobreviventes dublam pela chance de avançar e chegar à Coroa, mas se você não soubesse que se trata da Grande Final, o programa tampouco se preocupa em dar a importância ao momento.

No fim das contas, a Grande Final reuniu seis queens, uma dupla de cada bracket do Torneio (Foto: World of Wonder)

As semifinais, reunindo as sete melhores mais a wildcard, Joey Jay, foram compostas por dois desafios de performance, abrindo mão do Snatch Game, challenge presente em todas as edições de Drag Race, menos duas (a temporada inaugural e o All Stars 1). No lugar, as queens ficaram encarregadas de “contar uma história para sua criança interior” e de dar o nome no Show de Talentos.

As eliminações aconteceram com uma constante, a presença de A’keria C. Davenport no Bottom 2, escolhida no sistema do Rate-A-Queen. Protagonista da maior rixa da temporada (que tomou proporções homéricas fora do programa e na internet) com sua antiga sister Silky Nutmeg Ganache, a diva não abriu o jogo nem mordeu de volta, resultando numa insatisfatória conclusão no Smackdown.

Good morning: a peruca de Tina Burner voltou ao Ateliê (Foto: World of Wonder)

Outras finalistas sofreram do mesmo destino. Dawn, depois de dominar e acumular o maior número de pontos na fase preliminar, surgiu apagada no Merge, também saindo da disputa após a primeira batalha ao som de canções disco. Com looks de impressionar qualquer um, a rainha-elfa da season 16 caiu vítima desse apressado formato da competição. Jasmine Kennedie, responsável por incendiar o Ateliê com suas opiniões impopulares, passou o All Stars 11 todo declarando seu status matador nas performances, mas acabou perdendo todos os Lip Syncs que participou.

Não há competição que sobreviva a tantos deslizes da produção, insatisfeita em deixar os acontecimentos fluírem de forma natural. Crystal Methyd, campeã da temporada, venceu os dois desafios, acabando com o suspense ou a briga acirrada pelo prêmio em dinheiro. Sua oponente final estava ali, apesar do fervor dos fãs, sem nenhum Win ou qualquer justificativa plausível para acabar coroada.

A foto de Silky com a TV, um vídeo no canal de MIB e uma live de A’keria perdida entre tantos prints imprimidos fizeram da reta final do All Stars 11 um show de drama e shade (Foto: Reprodução)

Olhando os cacos por meio de vídeos e reações nas redes sociais, o All Stars 11 supriu expectativas. O Lip Sync de Nobody’s Supposed to Be Here (Dance Mix), com A’keria e Kennedy Davenport entregando energia de briga pelo prêmio, viverá em eternidade nas listas de melhores dublagens do programa. Sam Star, cortada antes da Grande Final após uma rotina instafistatória no Show de Talentos, também se tornou uma nota de rodapé numa temporada com mais potencial do que entrega.

Sem a presença do desafio do Reading, onde as queens jogam shade e se divertem, o All Stars 11 também abriu mão do Snatch Game e do ritual de passagem de coroa. No lugar da vencedora do ano passado, impossibilitada de comparecer por questões de calendário, o jurado convidado Evan Mulrooney, fazendo as vezes de Pit Crew, ofereceu o bastão a Crystal. Também na ausência da passarela de Best Drag, realizada na semana anterior, a rainha recebeu o prêmio num macacão multicolorido, fiel à sua estética mas abaixo do esperado quando olhamos uma artista de seu calibre – e o que ela serviria se houvesse a chance de um desfile próprio.

O Pit Stop convocou Monét X Change, Kerri Colby e Adore Delano para a reta final do All Stars 11; no painel de jurados, compareceram Evan Mulrooney e Cooper Koch (Foto: World of Wonder)

Ao fim dos 12 episódios, o formato dos três brackets parece desgastado demais para retornar. A saída ideal, uma volta às origens aos moldes do All Stars 2, parece igualmente improvável. Resta aguardar – e celebrar a vitória de Crystal Methyd, rainha proveniente da season pandêmica, representante das drags malucas e criativas, finalmente colocando uma latina (ou descendente de latina) no Hall da Fama de RuPaul’s Drag Race.

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