Mortal Kombat II faz faxina pesada

Sequência traz Johnny Cage, os leques de Kitana e uma dose ideal de humor e violência

min de leitura

Em 2021, impactado pelas restrições da pandemia e pelo modelo day-and-date da Warner, Mortal Kombat ressurgiu nos cinemas com muito a perder. E o filme de fato perdeu. Desperdiçou uma trama saborosa dos games, criou um protagonista inédito e pouco carismático e acabou relegando a adaptação do título para um hiato que durou meia década.

Adiado em 2025 e enfim lançado em 2026, Mortal Kombat II volta ao básico para entregar uma aventura sanguinária e cheia de adrenalina, honrando os jogos e sabendo calcular onde e quando ousar com originalidade e mudanças do status quo. A direção mantém-se sob o comando de Simon McQuoid, mas ele exorciza os demônios do longa anterior ao situar a trama durante um dos torneios de combate.

Indy Urban, filho de Karl Urban, interpreta o jovem Johnny Cage no flashback ambientado em 1985, em que o personagem vence um torneio de karatê (Foto: HBO Max)

Há, claro, a chegada de Johnny Cage (Karl Urban), o galã mequetrefe que só aparece agora depois de uma certa preocupação da produção em transformar o cara branco no protagonista de uma história centrada em personagens asiáticos. A ideia de Cole Young, vivido por Lewis Tan, como a visão de fora para dentro do torneio é revista na sequência – e o lutador não demora a sumir.

Se o primeiro filme da trilogia era todo construído na antecipação pela batalha entre os reinos da Terra e da Exoterra, o segundo capítulo é feito de embates individuais e do encerramento da guerra. Raiden (Tadanobu Asano), ainda mais preocupado pelo poderio de Shao Khan (Martyn Ford), não tem tempo a desperdiçar.

Adeline Rudolph e Tati Gabrielle já haviam trabalhado juntas em O Mundo Sombrio de Sabrina (Foto: HBO Max)

No roteiro, Jeremy Slater (de Cavaleiro da Lua e os fracassos Quarteto Fantástico e Death Note) compreende o caráter cartunesco dos personagens e equilibra o humor com a brutalidade. Nesse quesito, o elenco ganha oportunidade de declamar a mais cafona das frases de efeito antes de sair na mão com seu adversário.

A câmera brinca de emular o 2D dos games, comumente escolhendo planos chapados e até rotacionando-se em eixos não convencionais. No centro, Kitana (Adeline Rudolph) e Jade (Tati Gabrielle) se enxergam numa encruzilhada moral, ao passo que os maléficos Shang Tsung (Chin Han) e Quan Chi (Damon Herriman) tramam a vitória de Shao Khan, pai adotivo da princesa e marido de uma versão quase zumbificada da Rainha Sindel (Ana Thu Nguyen).

O diretor Simon McQuoid teve dificuldade para encontrar um ator que combinasse o porte físico e a mistura de humor, violência e doçura de Baraka, até que o assistente de direção P.J. Voeten sugeriu CJ Bloomfield, que conquistou o papel logo no primeiro teste (Foto: HBO Max)

Do lado mais bonzinho da trama, Sonya Blade (Jessica McNamee), Jax (Mehcad Brooks) e Liu Kang (Ludi Lin) lamentam a morte do companheiro Kung Lao, papel de Max Huang. Mas, considerando o andamento do caos e dos acontecimentos, não há tempo para lágrimas. O mercenário Kano (Josh Lawson, o dr. Bruce de St. Denis Medical) retorna mais mal-educado e hilário do que antes, e até o brutamontes Baraka (CJ Bloomfield) ganha tempo de tela – e uma química inesperada com Cage.

Figura que traz mistério e senso de honra para os filmes de MK, a participação do lendário Hiroyuki Sanada como Scorpion é comedida, mas eficaz. Guardião de um mundo entre realidades, o samurai só aceita o convite de Raiden após descobrir sobre outro retorno, o de seu nêmeses Bi-Han, agora sob a identidade de Noob Saibot (Joe Taslim).

Greg Russo, co-roteirista de Mortal Kombat (2021), afirmou que idealizou o reboot como uma trilogia: o primeiro filme antes do torneio, o segundo durante a competição e o terceiro após seu desfecho [Foto: HBO Max]

Com piscadelas para os fãs, surpresas para o público comum e fatalidades para dar e vender, Mortal Kombat II dobra seus esforços para arrumar a bagunça do filme de 2021. Autoconsciente, extravagante e certo de seu material-base, o diretor Simon McQuoid dosa bem o clichê dispensável com o gancho emocional. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *