Em tempos de acidez, Todo Mundo em Pânico ressurge mais formoso

De volta ao controle dos Wayans, paródia atira para todos os lados em clima de nostalgia

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Lançada no início dos anos 2000 na onda das paródias que tiravam sarro do terror adolescente, a franquia Todo Mundo em Pânico foi sequestrada pela Miramax (na figura de Harvey Weinstein), e nunca conseguiu repetir o humor crasso nas sequências insatisfatórias. Em 2026, o sexto capítulo retorna das cinzas com o elenco original e a mesma bobeira de sempre.

Treze anos se passaram desde que Charlie Sheen tomou controle das histórias, e muitos filmes icônicos marcaram a cultura pop. Agora, é o quinto filme de Pânico que guia o roteiro da equipe raiz: Marlon Wayans, Shawn Wayans, Keenen Ivory Wayans, Craig Wayans e Rick Alvarez assinam, sob a direção de Michael Tiddes, responsável pelas comédias fracassadas que imitavam Cinquenta Tons de Cinza e Atividade Paranormal.

A divulgação de Todo Mundo em Pânico recriou pôsteres de filmes do momento, como A Hora do Mal, Michael e até Obsessão e Backrooms (Foto: Paramount Pictures)

Com os irmãos Wayans no volante, Scary Movie distribui clichês para a dupla e para suas protagonistas femininas, Cindy (Anna Faris) e Brenda (Regina Hall), separadas pela vida como mães de família, cada uma à sua maneira. A primeira, totalmente bitolada como uma versão republicana da Laurie Strode, abandonou as filhas Sara (Olivia Rose Keegan) e Tuesday (Savannah Lee Nassif). A segunda, casada com Ray (Shawn Wayans) quase de fachada, criou dois adolescentes e divide a casa com o irmão maconheiro Shorty (Marlon Wayans).

Estabelecendo as regras das franquias de terror, a nova geração luta para de destacar, passeando por referências que vão de Wandinha e John Wick a Longlegs e M3GAN. A coisa degringola quando Todo Mundo em Pânico passa a tratar o humor de esquetes como métrica, tirando o foco da trama principal para desatar risos passageiros, caso das cenas que parodiam Corra!, Guerreiras do KPop e A Substância.

O filme esconde uma referência direta ao sucesso As Branquelas, e Marlon Wayans prometeu uma sequência da comédia caso Scary Movie fizesse sucesso na bilheteria (Foto: Paramount Pictures)

Reunindo o maior número possível de caras conhecidas e fantasias reconhecíveis, Scary Movie caminha pelo fino limite da comédia, embora as piadas datadas tenham, de fato, ficado no passado. Os Wayans incorporam temas atuais, discussões sobre o direito das mulheres e das pessoas LGBTQIAPN+, que agora ganham camadas além da habitual piada pejorativa (e a trama de um filho trans reflete a jornada real de Marlon)

Com personagens conhecidos por um tipo característico e petrificado de humor, o roteiro não pode mudá-los nem evoluir suas personalidades. Diferente da revitalização que aconteceu em Naked Gun, com Liam Neeson e Pamela Anderson assumindo a frente, Scary Movie se mantém refém do passado e do legado, talvez assinalando que a memória é a melhor moradia para a turma.

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