A Fabulosa Máquina do Tempo coloca o poder na pureza das crianças

Eliza Capai reúne garotinhas com muito a dizer e questionar em documentário de fofura e honestidade

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No interior do estado do Piauí, mais precisamente na cidade de Guaribas. É lá que a diretora Eliza Capai (do fantástico doc Incompatível com a Vida) encontra as protagonistas perfeitas para conduzirem A Fabulosa Máquina do Tempo. Cidade-piloto do projeto Bolsa Família, o local foi atravessado por políticas públicas que renderam frutos evidentes no dia a dia.

O decréscimo no número de crianças alfabetizadas, para começar, motiva Capai e sua equipe, numa produção em parceria de Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil, a experimentar e deixar que uma dúzia de garotas, quase todas nos anos pré-adolescentes, toquem o filme. Atrás da câmera, a diretora faz perguntas abstratas, e obtém respostas sinceras.

A Fabulosa Máquina do Tempo foi o filme de abertura da mostra Generation Kplus do Festival de Berlim, conquistou o prêmio de Melhor Feito Técnico-Artístico no Festival de Guadalajara e agora chega aos cinemas, acumulando a fofura de suas protagonistas com o bônus de, ao entregar-lhes o poder criativo, a arte plana por sob suas pequenas e radiantes imaginações.

“Ao inventarem uma máquina do tempo, revisitam as histórias duras de suas mães e avós, marcadas pela pobreza e desigualdade, e viajam para um futuro onde se enxergam livres e realizadas”, define a sinopse (Foto: Descoloniza Filmes)

Alice, Ana, Ana Vitoria, Joice, Laiane, Larissa, Laura, Lorenna, Manu, Manuellinha, Safira, Sophia, Thaemmy e Thabata são a equipe e o elenco do filme, um misto de documentário tradicional com ficção auto reflexiva. Cenas que antes se limitavam às brincadeiras no quintal, ganham efeitos, figurino e movimento. De épicos bíblicos a aventuras sem limites, o grupo transforma a rotina em Cinema.

Há, no meio dos risos e das curiosidades, uma tragédia feminina no núcleo de todas as histórias, nas casas formadas, em suma, por mulheres que lutaram e continuam em posição de arremate. Os homens, observados e capturados como figuras à parte, sem consciência ou feitio, aparecem nas beiradas. A universalidade do sorriso infantil, porém, ata qualquer nó emocional.

Em Berlim, A Fabulosa Máquina do Tempo concorreu ao Urso de Cristal na mostra Generation Kplus, além da honraria documental. Eliza Capai, que escreve e edita ao lado de Daniel Grinspum, ilumina suas estrelas-musas com simpatia e irreverência. Quem assiste, imediatamente se entrega, e agradece pela experiência inigualável. 

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