Você Não Vai Acreditar Quem Morreu com balaclavas de crochê e muito afeto

O longa foi exibido na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na Competição Novos Diretores

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O Primeiro filme de Dallan Shovlin começa em meio às dificuldades financeiras e morais de uma família irlandesa reunida no Natal, e dão a ideia de roubar um fazendeiro da região como uma solução tão improvável quanto qualquer outra. No dia seguinte e nesse mesmo horário, todos estão envolvidos com armas, drogas, um cadáver escondido no mesmo cômodo em que a polícia e um padre procuram os culpados por um roubo de um santo — minúsculo — em uma igreja.

Dorian (Jacob McCarthy), o filho mais novo, é quem concebe o assalto a Charlie (Stephen Rea) um fazendeiro recluso e arrogante. Nessa história, JJ (Peter Claffey, de O Cavaleiro dos Sete Reinos), é o irmão mais velho que tenta recuperar a importância depois de ficar desempregado. Ellen (Ruth Codd) é  irmã do meio mais afetuosa, gótica e deslocada, enquanto seus pais John (Ardal O’Hanlon) e Mary (Michelle Fairley, a Catelyn Stark de Game of Thrones) são de uma geração que também parece ter perdido o controle sobre a família e as próprias vidas. Por fim, Rosaleen (Simone Kirby) é a tia impulsiva que lê tarôs e faz com que cada um deles desça mais níveis nesse buraco

Em entrevista à MDH Entretenimento, o diretor contou que a ideia do filme surgiu quando em sua família pensaram como poderiam assaltar sua casa (Foto: Galwayfilm)

No noroeste da Irlanda, filmado entre os condados de Sligo e Leitrim, Você Não Vai Acreditar Quem Morreu (You’ll Never Believe Who’s Dead) aproveita as paisagens rurais, as propriedades afastadas e a atmosfera de uma pequena comunidade. A fotografia de Ryan Kernaghan e o desenho de produção de Heather Greenlees ajudam a dar personalidade a esse cotidiano, inclusive nos detalhes mais particulares, como as balaclavas de crochê absurdamente impossíveis de existir. Enquanto somos confrontados pela aparência tranquila do interior em contraste com com o coração perturbado da família de moral mais duvidável do país.

Parte importantíssima da graça aqui deve muito a montagem de Dara McKeagney, acompanhada de uma trilha sonora composta por Michael Keeney que também constrói muito dos planos imaginados pelos personagens, sem nos afastar da trama real ao mesmo tempo que também não faz o filme depender só das reviravoltas, basicamente vamos chegar nelas e mesmo que sejam o ponto alto, o caminho também é um mérito a parte.

Por trás das situações inacreditáveis, há personagens com angústias bastante reconhecíveis, desde dificuldades financeiras até crises existenciais. Ainda que assaltar um criminoso não seja a melhor das ideias, eles puderam sentir que faziam parte de algo como uma família, e mais acolhedor e engraçado ainda quando o diretor não reduz seus personagens só às suas disfunções humorísticas.

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