A primeira temporada do Latina Royale, spin-off que repetiu o formato do Slaysian Royale com drags latinas, passou como furacão pelas dez semanas de exibição. Expoente do programa mexicano e com as hosts Lolita Banana e Taiga Brava julgando, os resultados foram para lá de polêmicos e dramáticos.
A começar pela seleção de elenco, que trouxe cinco mexicanas, duas americanas, e uma representante cada das franquias Alemanha, Holanda, Brasil e Espanha. A química bateu até certo ponto, mas o andamento das eliminações demonstrou-se o julgamento arbitrário das apresentadoras para com suas queens nativas.

Após uma estreia sem Sashay Away, a temporada começou os trabalhos competitivos com a saída de Barbie Q, boliviana que competiu em Drag Race Germany e ganhou o desonroso título de Double Porkchop. Foi ali que também começou a jornada hercúlea de Mariana Stars, do España 4, pelo Bottom 2.
Salva após permanecer cinco semanas seguidas à beira da eliminação, a venezuelana confirmou um protagonismo surpreendente na season, encabeçando todas as intrigas e as alianças. Após a derrocada, ela venceu dois desafios e foi eliminada na sequência, mas apareceu no Makeover e na Finale, fazendo parte de todos os capítulos do Latina Royale.

Para os brasileiros que assistiram e as que competiram, o Latina ganhou apelido de Latrina ou Lástima Royale, dado o tratamento à Desirée Beck, do Brasil 2, e à Miss Abby OMG, precursora nacional do Holland 1. A primeira sofreu todos os males possíveis, colecionou Bottoms e até caiu na passarela, sendo mandada embora na terceira semana – ao lado, claro, de Mariana, apesar de ter um track record “melhor” que o da sister.
Já Abby foi vítima de um crime pior. Venceu o Talent Show e só derrapou no Snatch Game (imitando uma versão rouca da Cuca), mas foi o momento certeiro para que Matraka, do México 1, eliminasse a brasileira em detrimento de, mais uma vez, Mariana. O choque ultrapassou a tela da TV, com Abby tão pasma quanto a audiência, saindo sem ouvir a despedida de Lolita e decretando o destino da temporada: falsa, falsa, falsa!

O andamento não ajudou a tirar o gosto azedo de injustiça e complô: a panamenha Xunami Muse, da season 16 americana, também entrou no bonde das winners eliminadas logo em seguida. Contra ela, uma mexicana salva por sua companheira. Até mesmo a lendária porto-riquenha Alexis Mateo, em sua quinta participação no programa, percebeu o sangue na água. Após a saída de Xunami, ela deixou o palco antes da dança que fecha o capítulo e demonstrou na carne o desconforto e o descontentamento. Alexis só voltou a sorrir quando Mariana fez as malas – e com razão.
A personalidade infantil e condescendente de Mariana irritou queens e público, sempre tentando ganhar a simpatia das mexicanas e correndo por fora das críticas ou das opiniões divergentes. Afinal, ao passar cinco semanas no Bottom, vencer dois desafios e ser eliminada logo na presença de Supremme de Luxe, host do España, as alegações de fabricação narrativa continuaram a todo vapor. Nota-se que Desirée também deixou o programa no momento em que sua host estava no painel.

Grag Queen até tentou salvar sua filha, usando a carta da loteria, um artifício barato e sem nexo esgotado na semana seguinte, quando por alguma razão Mariana mostrou-se merecedora da manobra. Xunami até tentou mandar a representante espanhola para casa, mas a produção utilizou o escudo sem vergonha. Do balaio de gatos enroscados em alianças e injustiça, apenas uma mexicana saiu ilesa: Elektra Vandergeld.
Dona de um verso icônico e chiclete no Girl Group, a competidora da season 2 (que já deveria ter sido coroada no passado) atropelou com seu desfile, sua desenvoltura, seu humor e seu carisma. Looks de encantar, performances de brilhar os olhos e a ética que conquistou os fãs mundo afora.

Matraka, ao contrário, eliminou as duas brasileiras e levou chumbo nas redes sociais. Sorte dela que a primeira edição da Drag Con Brasil aconteceu antes da exibição do Latina Royale. Fosse o contrário, o booth da mexicana talvez não estivesse com tanta fila e tempo de espera…
Sobraram, pois, as outras duas finalistas: Regina Voce e Eva Blunt, cortadas antes do Lip Sync pela Coroa e exímios exemplos de como o programa preferiu manter o clima familiar no lugar da gana competitiva. Na finale, os momentos de conversa entre apresentadoras e competidoras foram insossos; não havia narrativa, história ou mesmo disputa. Depois de Lolita e Taiga tentarem a todo custo aparecer mais do que o necessário, só restou fechar o circo – ao menos com Desirée eleita Miss Simpatia e uma campeã louvável e digna do título: vida longa a Elektra Vandergeld.


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