Os irmãos Trambique e Encrenca, também conhecidos como Jake (Jude Law) e Vince (Jason Bateman), arrumam confusão desde pequenos. A jornada de amadurecimento e envelhecimento chegou ao Black Rabbit, badalado e exclusivo restaurante em Nova Iorque – vítima de um violento assalto e palco de aparentes mortes. Um mês antes do caos, a minissérie da Netflix rebobina a fita e mostra os motivos de tal revés.
Criada por Zach Baylin (roteirista de King Richard e Creed III) e Kate Susman (produtora de The Order), Black Rabbit apareceu em 7 categorias do Emmy 2026. Bateman está no páreo de Ator e Direção em Minissérie, com adicionais indicações para os departamentos de Trilha Sonora, Montagem, Mixagem de Som, Fotografia e Figurinos Contemporâneos. O fuzuê não é estranho nem inesperado, dada a qualidade da história.

Nas vielas da cidade grande, Jake empilha responsabilidades e contas a pagar. A chef e parceira na empreitada comercial é a talentosa Roxie (Amaka Okafor), que comanda a cozinha e espera que os jornais enfim deem os louros para seu cardápio caprichado e equipe excelente. A barista Anna (Abbey Lee) faltou no turno mais importante do local, quando uma crítica gastronômica avaliou o trabalho do Rabbit.
Depois dessa mancada, Jake a demitiu. Mas as razões do sumiço de Anna, e do envolvimento de um presunçoso artista que se esconde sob a asa do super famoso Wes (Sopé Dìrísù, de Slow Horses e A Sombra do Meu Pai), logo serão reveladas e friamente analisadas por Jake. Se Vince tem problemas com apostas e substâncias químicas, seu irmão é viciado em adrenalina e em proteger o mais velho. A parceria dos dois data da infância, quando conviveram com um pai violento e mequetrefe.

De volta à cidade, e ao restaurante de onde foi convidado a se retirar, Vince desperta a atenção de seus credores, vividos por um trio que exala perigo e preparo: Troy Kotsur, Chris Coy e Forrest Weber. Há tensão e medo nas cenas em que Kotsur sinaliza e aguarda a tradução das falas, muitas vezes em forma de ameaça e cobrança de dívidas atrasadas.
Como um caleidoscópio de péssimas decisões, Black Rabbit encaminha os personagens para um banho de sangue físico e emocional. Morgan Spector interpreta um segurança sem escrúpulos, Cleopatra Coleman dá vida a uma artista apanhada no fogo cruzado dos milionários, e Odessa Young combina impaciência e fé em uma figura masculina arruinada.

Com toques de The Bear e Ozark, a minissérie recruta Bateman e Laura Linney para a direção, e ainda inclui episódios dirigidos por Ben Semanoff (de Yellowjackets e The Old Man) e Justin Kurzel (de Macbeth e Assassin’s Creed), imprimindo a linguagem do suspense para a bomba-relógio que se torna a rotina dos irmãos. Jake é dedicado ao mantra de produtividade e positividade que Law interpreta com gana, e Vince é outra demonstração do caráter metamórfico de Jason Bateman, um ator versátil e impossível de prever reações ou respostas sarcásticas.
Da banda de rock que criaram quando moços até o trâmite do restaurante, os irmãos omitem tudo que soa negativo ou maléfico, criando um vórtex de mentiras e negações grande demais para ser ignorado na hora do acerto final. Melhor como drama do que como ação, Black Rabbit termina em clima de novela, com epílogo que renderia mais se os problemas fossem de continuar a história, com sua vasta gama de motivações, álibis e personagens.
Pelo papel de Vince, Jason Bateman alcançou uma marca histórica no Emmy: a indicação como protagonista nas três áreas reconhecidas pela Academia. Depois de trabalhos na Comédia com Arrested Development e no Drama com Ozark, o veterano acumula êxitos e elogios como o esquivo frontman de Black Rabbit. Até hoje, sua única vitória foi como diretor, mas o pacote de 2026, com lembranças também pela fantástica DTF St. Louis, pode mudar o cenário estatístico.


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