Heartstopper Para Sempre: acabou-se o que era doce

Em formato ingrato e apressado, filme encerra a história dos queridos personagens da Netflix

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No lugar da quarta temporada, a solução para adaptar o último quadrinho de Heartstopper veio na forma de um filme, intitulado Para Sempre. Com a mesma base da versão em série da história de Alice Oseman, aqui de volta ao roteiro, o longa abarca um ano na vida de Charlie (Joe Locke) e Nick (Kit Connor), das decisões quanto ao futuro na faculdade e ao status atual do namoro.

A direção é de Wash Westmoreland, de Para Sempre Alice, que substitui Euros Lyn e Andy Newbery, e imprime a habitual sutileza e doçura aos planos, com um visível salto no orçamento, nas locações e na iluminação. Nas batidas que estamos acostumados, o casal enfim navega por questões mais maduras, enxergando o sexo não como tabu, e sim como objeto de desejo e felicidade.

O filme adapta o sexto volume dos quadrinhos e a novela Nick & Charlie, acompanhando a maturidade do casal e a eventual crise de identidade dos garotos (Foto: Netflix)

Porém, alongado-se na duração de quase duas horas, Heartstopper Para Sempre corre em círculos, disposto a picotar o amadurecimento da dupla de protagonista ao mesmo tempo em que mantém o panteão de coadjuvantes na linha de trás, borrados por conveniências dramáticas e também presos num loop de brigas, reconciliações e celebrações da liberdade queer juvenil.

A grande discussão, a respeito dos direitos de pessoas trans no Reino Unido, ilustra a vida de Elle (Yasmin Finney) e dá o clima para a sequência de eventos na Parada do Orgulho. Afinal, o mesmo país que deu vazão à Heartstopper abarca a figura misógina, transfóbica e abominável de J.K. Rowling, e qualquer mídia, especialmente a série LGBTQIAPN+ de maior projeção da Netflix, que coloque em voga as discussões e as denúncias merece ser destacada.

Fora isso, Forever se repete, mas diferente do formato de episódios de vinte e poucos minutos, com quebras visuais, trilha sonora selecionada com cautela e personagens de fundo carismáticos, o filme esgota sua retórica e funciona como despedida espreguiçada. No epílogo, uma colagem de poucos minutos que aponta o futuro dos amigos, fica clara a intenção de correr com tudo – indo na contramão daquela deliciosa cápsula do tempo que Heartstopper provou ser sua marca registrada no passado.

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