Os argumentos repetidos de Mr. Nobody Against Putin 

Documentário que denuncia os avanços militares do governo russo está no páreo do Oscar 2026 depois de vencer o BAFTA

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É bem comum, nas escolhas da Academia, pautar suas obras em intrigas políticas, injustiças históricas e temas de tensão e notoriedade. Olhando apenas para indicados e vencedores da década em Melhor Documentário, o genocídio palestino, o imperialismo russo e a invasão na Ucrânia foram alguns dos assuntos tratados em obras como No Other Land, Navalny e 20 Dias em Mariupol. Na seleção de 2026, Mr. Nobody Against Putin cumpre o papel.

Dirigido por David Borenstein e co-dirigido pelo protagonista Pavel Talankin, o documentário passou por Sundance, de onde saiu com o único prêmio de relevância antes da indicação ao Oscar 2026. Por meio de gravações “clandestinas” e oficiais, o filme conta uma tragédia de longa gestação.

Acompanhamos o professor Talankin em seu trabalho numa escola de Karabash, cidade mineradora pobre próxima aos Montes Urais, que, enquanto filma seus alunos, também registra as ações do governo Putin para controlar a percepção pública durante a guerra russo-ucraniana. Por recordações históricas que partem de diretrizes do governo e chegam à lavagem cerebral sofrida pelos alunos, o documentário inclina-se em direção à subversão.

Mr. Nobody Against Putin estreou mundialmente na seção World Cinema Documentary do Festival de Sundance 2025, onde venceu o Prêmio Especial do Júri (Foto: Kino Lorber)

Também selecionado como a escolha da Dinamarca para o Oscar de Filme Internacional, Mr. Nobody acabou apenas na lista de Documentário, competindo com criações de urgência social (A Vizinha Perfeita, The Alabama Solution) e de caráter sentimental (Embaixo da Luz de Neon). O que pode ter chamado atenção, para além do presidente russo estampar o poster com um nariz de Pinóquio, é a predileção dos votantes americanos em antagonizar seus “adversários” políticos.

Longe de inovar na linguagem ou de propor discussões acerca da intervenção e do futuro das crianças e adolescentes russos, o filme acumula suas fitas de repúdio e de denúncia com o protagonista que desarma a tensão com seu jeito contagiante e sua personalidade atípica. Menções sobre sua orientação sexual são inexistentes, embora hajam pinceladas sobre um “estilo de vida” que diverge do comum no país.

Produzido em parceria da Dinamarca com a República Tcheca e a Alemanha, o filme conclui-se na fuga secreta do professor, que partiu da Rússia no verão de 2024, com a ajuda de seus produtores e do diretor David Borenstein, após surgirem indícios de vigilância policial em sua casa. Os carros suspeitos são capturados pela câmera, mostrando o tamanho do perigo desafiado e das prováveis consequências de suas ações. 

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