Dirigido por Andrew Jarecki e Charlotte Kaufman, o documentário Alabama: Presos do Sistema se apoia em imagens gravadas por seus protagonistas. Com filmagens que datam de dez anos até os dias atuais, os encarcerados denunciam a violência, a omissão e a corrupção que o estado americano organiza quando o assunto é o sistema prisional.
Original da HBO, The Alabama Solution corta e cola o contexto político e social com inserções de notícias da TV e o relato brutal que os homens, em sua maioria negros e latinos, sofre nas mãos do estado. Em contrapartida, a governadora Kay Ivey finge que o cenário é propício e que toda ação policial é justificada. É a forma moderna e socialmente aceitável da escravidão, com trabalho em níveis desumanos, remuneração irrisória e a constante negação de condicional.

Jarecki retorna ao circuito de premiações quase vinte e cinco anos depois de Na Captura dos Friedmans, documentário que acompanhou uma família onde pai e filho foram acusados e condenado por pedofilia. Se o longa de 2003 era formado pelo emotivo depoimento de vítimas e dos juristas, advogados e jornalistas envolvidos, o documentário de 2025 se constrói nas palavras e imagens de suas vítimas.
Exemplo de como o Cinema, especialmente o norte-americano, volta suas questões sociais e de vulnerabilidade de dentro para fora, tornando os agentes passivos em formadores de opinião, deixando que a convivência e a realidade carcerária molde o discurso defendido.

Há, até, certa confluência de temas com A Vizinha Perfeita, outros dos títulos da temporada de premiações, especialmente no que tange a lei de autodefesa instaurada na Flórida e que vale também no Alabama. Uma coisa é certa (e se repete): a institucionalização da lei como agente majoritária de justiça e morte é um problema sem solução aparente
A urgência que os realizadores americanos enxergam no tema é sentida na vasta e difusa produção cultural. De outros longas de não-ficção como o categórico Time, os direitos das pessoas encarceradas reverbera na ficção tocante de Sing Sing e ocupa, ano após ano, uma conversa levada sem a seriedade devida por quem tem poder de mudança.


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