Moldado pela violência, o herói Mark Grayson (Steven Yeun) não se considera tão Invencível assim. Pelo menos não como antes, quando seus problemas eram resumidos ao vilão da semana a e seu pai, Omni-Man (J. K. Simmons), era um símbolo de confiança. Na quarta temporada, a animação do Prime Video rompe de vez com a esperança de paz.
A guerra entre a Coalizão dos Planetas e o Império Viltrumita está em fase de ebulição, deslocando os heróis da Terra para o espaço sideral, onde boa parte da temporada se encarrega de preencher a tela com lutas, sacrifícios e concessões necessárias para a manutenção de um status quo longe do ideal.

Na estreia, Mark se une aos Guardiões para dar cabo de uma invasão alienígena muito parecida com sua primeira aventura com manto de super-herói. Desta vez, ele precisa matar um hospedeiro humano para evitar a catástrofe, e também perde seus aliados, Rex (Ross Marquand) e Monster Girl (Grey DeLisle), presos num portal inter dimensional.
Os sacrifícios são numerosos e incessantes. Atom Eve (Gillian Jacobs) está incapacitada de usar seus poderes, mas esconde o fato do namorado, temendo que outra preocupação irá apenas atrapalhar a relação. É dela que parte a decisão de manter, também, a gravidez em sigilo, vindo à confissão apenas no epílogo da luta, quando as mudanças e as escolhas já fazem parte do passado.

No equilíbrio dos dramas de Mark com tramas estrangeiras ao jovem herói, Invencível apresenta o destino de Damien Darkblood (Clancy Brown), o demônio investigador que protagoniza o fantástico Hurm, episódio que nos leva ao Inferno comandado pelo Satanás de Bruce Campbell. Com direito a ajuda de Invencível, o personagem terciário ganha conclusão com cara da emoção típica da saga.
Omni-Man e Allen (Seth Rogen) também carregam parte da temporada, tanto em sua libertação dos inimigos quanto no relato do passado de Nolan. Enfim, descobrimos o evento que quase extinguiu o planeta nativo dele e as consequências drásticas que tal ação gerou no futuro e na vida de Mark. Com a presença transcendental do grande vilão Thragg (Lee Pace), a série encaminha-se para uma fase de violência sem igual e de perigos imbatíveis.

A fuga de Conquest (Jeffrey Dean Morgan) respinga na saúde Mark no chocante episódio em que a batalha entre os dois termina num banho de vísceras diferente de tudo que Invencível mostrou até então. Com linguagem visual inspirada na indústria dos animes, a produção usa de quadros fixos para transmitir mensagens carregadas de poder e de impacto visual. A cena em que Conquest surge atrás de um indefeso Oliver (Christian Convery) é assustadora.
No clímax de um confronto terrivelmente desbalanceado, Mark enxerga a realidade por detrás do otimismo de outrora. Na Terra, o clima de desolação permeia a existência de Debbie (Sandra Oh), uma mulher que nunca cicatrizou as feridas cauterizadas pela traição do marido. A conclusão é sombria e fúnebre, numa procissão na galáxia em direção ao alento materno.

Em vias de encarar o abismo, Invencível firma o acordo diabólico de Mark e Thragg, uma combinação de emoções negativas e ameaças piores do que qualquer pesadelo. Enquanto séries como The Boys usam da violência como elemento gráfico de descarrego e surpresa, a animação baseada nas HQs de Robert Kirkman faz do brutal um fator que aterra os personagens e define a conduta deles em prol do medo de que o futuro repita tais fatalidades.


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