2ª temporada de Matlock pega no tranco

Kathy Bates expõe o coração e a voz de uma mãe de luto no procedural da CBS

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A meta de vida de Madeline Kingston (Kathy Bates), disfarçada sobre a identidade de Matty Matlock, poderia ter sido cumprida no final da primeira temporada do drama da CBS. Nem reboot, nem remake, a versão atualizada de um clássico oitentista optou por estender sua trama e aumentar os riscos. A ideia rendeu ótimos frutos.

Olympia (Skye P. Marshall), ciente dos planos e das mentiras de Matty, abraça a vingança com fins pessoais, isto é, defender o pai dos filhos, Julian (Jason Ritter), de uma condenação ao lado do todo-poderoso Senior (Beau Bridges), aparente mandante de um caso que envolveu propina, mentiras e a eliminação de um estudo que poderia tirar remédios opioides do mercado e, quem sabe, salvar a vida de Ellie (Marnee Carpenter), filha de Matty morta por overdose.

A série intercala o drama principal com casos que refletem temas atuais, como as ações do ICE e os desafios enfrentados por imigrantes no sistema de justiça (Foto: CBS)

Com os pontos estabelecidos e todas as relações justapostas na trama de vingança e pequenas mentiras e grandes planos, Matlock diminuiu o pacote de 19 capítulos para 16, afiando os “casos da semana” para melhor encaminhar a história principal. Os problemas, por surpresa, vieram do lado de cá das câmeras.

Após a exibição do sétimo episódio, a atriz Leah Lewis, intérprete da jovem e astuta advogada Sarah, acusou o colega de trabalho David Del Rio, ator que dá vida ao parceiro de trabalho Billy, de assédio sexual. A emissora prontamente afastou ele da produção, demitindo-o e retirando o personagem da trama distante das telas. Agora, é Del Rio que processa a CBS, alegando má conduta e difamação.

A fala de Matty, “what in the heck-a-doodie”, após o acidente de carro é uma referência direta à personagem Annie Wilkes, interpretada por Kathy Bates em Louca Obsessão (Foto: CBS)

Quando olhamos apenas para o roteiro, a abrupta saída de Billy não afeta diretamente o fluxo da temporada; na verdade, quando o adorável Hunter (Henry Haber, sósia perdido do ex-jogador Kaká) é contratado para aumentar os números dos advogados da empresa Jacobson Moore, Matlock rapidamente o situa no ambiente e faz sua presença um deleite e uma fonte ininterrupta de humor para o local.

Semanas atrás, um dos roteiristas da série veio à público com denúncias à criadora de Matlock, Jennie Snyder Urman. No processo, comentários a respeito de sua etnia, sexualidade e método de trabalho foram feitos por ela, que insinuou-se sexualmente ao subalterno. Até agora, o futuro da série aponta para uma janela de produção maior, com o retorno na já renovada terceira temporada marcada para o início do ano que vem.

Encontros de casais: a temporada escala Melanie Lynskey e Edwin Hodge, cônjuges dos atores de Julian e Olympia na vida real (Foto: CBS)

De novidades, Matlock traz Joey (Niko Nicotera), pai biológico do pequeno Alfie (Aaron Harris), que luta contra o vício e precisa de muito para melhorar de vida e honrar a presença do filho nela. Na luxuosa mansão de Matty e Edwin (Sam Anderson), os planos contra Senior e as maquinações para que todos os dominós caiam em posição certa acontecem à torto e à direito, com espaço até para problemas conjugais, como as bodas de ouro que Matty “ignora” ao trabalhar para defender Shae (Yael Grobglas), a “detectora de mentiras humana” que se vê abandonada pela empresa.

A season finale, dividida em duas partes recheadas de tensão quanto à resolução do grande plano, termina em tons pacíficos, com o futuro de Matlock, tanto a série como a protagonista. Após uma temporada que convidou atrizes de destaque para papéis de combustão dramática (além de Lynskey, tivemos Yvette Nicole Brown, Justina Machado e Gina Rodriguez), o terreno é organizado com a fusão das firmas e a certeza de que a justiça foi servida. 

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