X-Slasher mata a fome e cria um ícone do terror

Reimaginando o horror pelas lentes de uma cidade universitária, curta-metragem assusta, diverte e encanta

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A cidade de Bauru, no interior de São Paulo, guarda muitas representações icônicas, a começar pelo nome de batismo do sanduíche e do mascote que habita, silenciosamente, a rodoviária. Em X-Slasher, curta-metragem exibido na CCXP, o outrora pacífico personagem se transforma em assassino em série.

Em tempos de escassez criativa dentre os grandes vilões do terror, o Bauruzinho chega para dominar a cena e provar, de uma vez por todas, que a criatividade e a inventividade superam qualquer barreira. Ao longo de trinta minutos, a diretora Letícia Bonatelli dança ao redor do horror com situações triviais e muito catchup, digo, sangue.

A cena de abertura, com um casal comemorando o relacionamento em meio ao sangrento ataque do vilão, é daquelas que deixam forte impressão; quem dera pudéssemos ver mais dos personagens que inauguram a matança (Foto: Laura Costenaro)

O roteiro de Letícia Bonatelli em parceria com Gabriel Oliveira F. Arruda trata seus protagonistas com inteligência e racionalidade, transformando os clichês indigestos do gênero em situações cabíveis e muito bem capturadas pela câmera de Laura Costenaro e Biscoito Senô e pela montagem de Andrey de Sousa Sanches, que aclimam a atmosfera de mistério com um serial killer tão característico e comumente inofensivo.

Tudo graças ao trabalho de criação da equipe, que aproxima-se tanto das protagonistas, vívidas por Kaylane Faria e Lais Fernanda, quanto do vilão, com a mesma intensidade narrativa e atenção aos pequenos detalhes, de um livro que revela a fraqueza do inimigo até o passado sombrio da república estudantil habitada pelas garotas.

Para quem se cansou de revisitar as histórias de Freddy, Jason, Ghostface e Chucky – e não suporta a nojeira do palhaço Art -, o Bauruzinho é o vilão perfeito (Foto: Laura Costenaro)

Há subtexto queer na relação entre Ana e Samanta, o que adiciona emoção e vulnerabilidade a X-Slasher, um filme profundamente bauruense e, ao ser visto por alguém que viveu na cidade e consegue pescar as referências e as piscadelas, eterniza Bauru pela ótica do terror e, principalmente, do brilhantismo que existe em seu interior.

As inspirações estética e temáticas não engolem a originalidade, e servem de alicerce para a tese de perseguição e assassinato do curta-metragem. Em harmonia com o design de som e dos efeitos visuais, o mascote diminuto é ameaçador e digno de assustar suas vítimas, fazendo de X-Slasher um berço para o novíssimo e diferentíssimo ícone da maldade. 

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