Andrew Cooper (Jon Hamm) pegou a esposa na cama com seu amigo, foi demitido sem aviso prévio e está ficando sem dinheiro. Quando a primeira temporada de Seus Amigos e Vizinhos começa, ele só tem um caminho a seguir: invadir a casa de seus conhecidos ricos e roubar pequenos e inofensivos tesouros, que dificilmente terão sua falta notada ou sentida.
Criada por Jonathan Tropper, a série da Apple TV estreou com pouco alarde, apesar do elenco carregado por Hamm. Embora montada ao redor dos roubos e vendas, a trama é bastante voltada para a rotina dos integrantes mais ricos de Nova York, com galas, champanhe e gastos. A primeira temporada foi indicada ao Emmy 2025 pela trilha sonora de abertura, mas perdeu para The White Lotus.

Além de Coop, o roteiro constrói histórias robustas para os demais habitantes do local. A ex-esposa Mel (Amanda Peet) abraça a melancolia de ter se divorciado, ao passo em que Nick (Mark Tallman) lida com o misto de orgulho e culpa do caso que se tornou um namoro. Também em meio a uma separação conturbada, Sam (Olivia Munn) descarrega os problemas na cama do protagonista.
Os filhos de Coop, Tori (Isabel Gravitt) e Hunter (Donovan Colan), ganham arcos de amadurecimento cheios de humor e lições a serem aprendidas. Já Barney (Hoon Lee) equilibra dívidas, a presença dos sogros e uma reforma que sangra sua conta bancária a cada novo contratempo. Elena, papel de Aimee Carrero, é a doméstica que acaba envolvida no esquema de furtos, o que adiciona uma camada além dos ricos com problemas risíveis e se volta à vida dos imigrantes nos Estados Unidos.

Ali (Lena Hall), a irmã instável de Cooper, se muda para junto dele e toma decisões pouco produtivas, uma constante que perpassa todos os personagens, não importam seus laços sentimentais ou situação monetária. No meio, a detetive Lin (Sandrine Holt) persegue um misterioso crime que pode colocar Hamm atrás das grades por uma infração que não cometeu.
Despretensiosa, a primeira temporada de Your Friends & Neighbors é repleta de sensações de conforto, apesar dos momentos inquietantes de perseguição e suspense. Responsável por carimbar e perpetuar a figura do homem em crise consigo mesmo, Hamm deixa os cigarros de Don Draper no passado e passa a atuar no limiar da auto piedade e da cobrança, propiciando que o público enxergue em seu medíocre milionário alguém digno de atenção.


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