Quanto vale não ser esquecido jamais, BBB 26? Quanto vale se juntar ao pódio de melhores edições com a 20 e 21? Ainda que no 3º lugar, vale muito. É como se esse fenômeno tirasse o peso do isolamento que causou o estrondoso sucesso das edições das campeãs Thelma Assis e Juliette Freire. Esse ano vimos a história ser feita, novamente. E ainda que isso tenha criado uma chance tremenda de preceder uma péssima próxima edição, valeu muito a pena tudo que vivemos até aqui.
Dentro e fora do programa, não tinham outros assuntos que não o programa. Ainda em contextos sociopolíticos mundiais complicadíssimos, no Brasil o Trend Topics do X às terças, quintas-feiras e aos domingos foram tomados totalmente pelos comentários das eliminações, paredões, provas do líder, sem mencionar outros dias de festas, brigas, monstros e expulsões que, aliás, pareceram fazer parte da rotina dos confinados.
Com recordes a torto e a direito, desde o valor do prêmio à quantidade de expulsões, desclassificações e tentativas de desistência, conseguimos contabilizar que, dos 25 participantes, cinco tiveram sua trajetória interrompida – não naturalmente – na busca dos R$ 5,7 milhões. E, ainda assim, nada conseguiu diminuir a qualidade do entretenimento que recebemos pela ótima escolha de elenco. No entanto, o mérito da graça do programa não é, por muito, só de quem o faz. Seu público produz grande parte do que muitos preferem acompanhar aqui fora, cortes, comentários ácidos, discussões e edits, por exemplo.

Enquanto brigam lá dentro, as torcidas brigam aqui fora. Mas nem sempre, às vezes até entramos em um consenso, mas continua interessante como um conteúdo se molda através de várias plataformas, em vários formatos e com repercussão multiplicada por milhões de outras pessoas. O que não é tão bom assim, mas ainda curioso, é a existências de máfias digitais – se é que podemos chamá-las assim.
É difícil conceber a ideia tão absurda de que grupos sejam tão organizados para se unirem e terem tamanho poder para construir e destruir reputações, promover e influenciar resultados, campanhas e a opinião pública. Tanto por isso foram implementados alguns mecanismos que melhorassem essa dinâmica, como os votos únicos. Sem bots, sem tanta organização, em realities de outras emissoras já estão criando estratégias para minar a falta de fairplay, como o voto para ficar e, na recente Casa do Patrão, a proibição de administradores para os perfis dos competidores.
No entanto, fora toda deslealdade de linchamentos digitais e toda propagação de ódio, os comentários orgânicos e cômicos nos cortes e respostas são o que constroem muito do que o programa é em essência. Muitas pessoas sequer assistem à edição pela televisão. Só acompanham pelas redes sociais, e ainda pouco se manifestam em votações no Gshow – votos de torcida menos ainda. Nesse cenário todo, a Globo parece ter receio de mudar a dinâmica toda de uma vez, ou de se assemelhar com outros formatos já consolidados, como o voto para ficar de A Fazenda.

O tempo sempre passa mais rápido quando não damos conta do que estamos fazendo. Três meses então, passam voando. Quando estamos no automático e não nos damos conta do que acontece dia após dia, nossa memória costuma criar e unir um grande monte de acontecimentos desordenados e confusos. Algumas coisas parecem ter sido ontem, outras, há milênios. Mas os destaques sempre ficam marcados, e momentos de ouro não faltaram em nenhuma semana dessa edição.
Já manchando a edição, um dos primeiros grandes acontecimentos que ditou o tom escatológico desse BBB foi quando Matheus sujou o banheiro do quarto branco com o que tinha para sujar. A seguir, tivemos as crises convulsivas de Henri Castelli, que teve de sair por questões médicas, mas felizmente já está bem. Depois de muitos descompassos e desconfortos, Pedro, do Sul, também desistiu, mas também teria sido expulso de toda forma por ter assediado Jordana na despensa. No fim do primeiro mês – e da primeira temporada–, Paulo Augusto foi expulso por ter empurrado Jonas Sulzbach na corrida do Big Fone.
No começo do segundo ato, em fevereiro, seguimos com a expulsão de Sol Vega por pisar no pé de Ana Paula e chacoalhar seus braços, confusão essa que também rendeu milhares de acusações de tentativas de agressão pela Milena estar portando um garfo quente em meio a uma briga generalizada. O motivo de tudo isso? Tia Milena os acordou cedo pela segunda vez, e deixou claro que teria uma terceira. Pouco depois, por motivo semelhante, Edilson Capetinha se enraiveceu por Boneco ter acendido a luz enquanto ele dormia, a situação escalou e ele foi expulso por empurrar o rosto do brother.

Pelo meio do programa, nasceu a Dona Injúria, apelido dado às falas super problemáticas de Solange Couto à campeã Ana Paula, dizendo que devia ter nascido de “uma trepada mal dada”, entre outros absurdos. No auge da rivalidade entre grupos, Alberto Cowboy menciona que Milena perdeu a prova propositalmente para Ana Paula ver seu pai, logo, a campeã foi impedida pelos aliados de ir atrás de Cowboy, no entanto pegou o chapéu do rival e o amassou enquanto gritava. Depois tivemos um paredão falso que pouco fez diferença, com Breno e Juliano no Quarto Secreto. Ao mesmo tempo, Babu minava o favoritismo de Chai em um almoço do anjo que a custou o favoritismo e os R$ 5 milhões. Já queimado por muitos motivos, Babu brigou com Ana Paula e com uma retórica não muito boa, cavou sua eliminação ao terminar dizendo que ela é patricinha, rica, branca, magra e loira, sem muito contexto naquela situação.
Pouco depois, Milena construiu uma arma química por terem comido o jantar e o suco da Ana Paula, que estava no Monstro. A sister fez um suco com água de frango, limão, sal, louro e restos de ovo do lixo. A produção interveio, visto que, de longe, em nenhuma outra edição a saúde dos participantes tinha sido tão ameaçada quanto agora. Foi a Pipoca do milênio mesmo. Tivemos a recusa do figurino de Ana Paula em uma festa, que a impediu de participar e nos deu acesso até a vídeos que dava para escutar a gritaria no confessionário. E essa foi basicamente a segunda temporada em que os participantes estavam mais focados em atingir e eliminar os grupos rivais. O que cessou na terceira e última temporada, em abril, com o piloto protagonizado totalmente por Samira.

Samira – Samayra – você foi um fenômeno, pelo bem ou pelo mal. Você quis tudo e fez tudo ser sobre você. E não é justamente disso que um reality show é feito? Pessoas querendo chamar atenção por serem quem são? Depois de tanto que já aconteceu nesse programa, em que lugar isso é tão ruim? Em que lugar isso justifica o tamanho ódio que ela recebeu, não tendo falas problemáticas ou qualquer semelhança com outros que saíram escorraçados? A gaúcha movimentou o jogo quando todos já estavam exaustos.
Essa reta final foi inegavelmente dela, sustentando com muito choro e emoções a flor da pele pelo delírio hilário de achar que sairia algemada pela polícia no primeiro de abril por ter espalhado fake news. Ou por ter brigado com seu aliado que não cumpria com os combinados, tinha bafo e a acusou de gritar por já ter conseguido seu apartamento, que até então já tinha sido mais do que Juliano Floss fez no programa, além de ficar atrás da Ana Paula.
O prêmio milionário pode até não ter sido dessa menina tão sonhadora, e, pelo que os unfollows implacáveis dos ex-aliados aparentam, as amizades no caminho também não, mas ela já ganhou o mundo. Saindo com seu tão sonhado apartamento de R$ 270 mil, um carro avaliado em R$ 123 mil e R$ 100 mil de uma prova do líder, mais R$ 30mil de dinâmicas, além de brindes e roupas, faltou um perfume, mas o resto é história.

Uma história previsível desde a primeira semana, com o prêmio seguindo para fechar a narrativa de quem teve a trajetória interrompida há dez anos. Toda trajetória que Ana Paula teve foi muito bonita, junto de sua maior aliada Milena, a mulher que encantou a todos com sua personalidade E seus caminho, assim como de todo programa, ficam ainda mais emocionais ao lembrarmos as perdas que atravessaram o programa, como as mortes do irmão de Tadeu e do pai de Ana Paula. Agora é esperar o futuro das próximas edições e, a quem participou dessa, fazer suas relevâncias durarem o quanto puderem.


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