Jovens estrelas do K-Pop em ascensão, um mundo ameaçado por demônios e uma trilha sonora extremamente marcante. Essa é a premissa de Guerreiras do K-Pop, sucesso inesperado que conquistou não apenas os usuários da plataforma, mas também as principais paradas musicais do mundo.
Lançada em 2025, a coprodução da Netflix com a Sony Pictures Animation acompanha o trio de idols (como são chamadas as grandes estrelas do gênero) HUNTR/X, composto por Rumi (Arden Cho/EJAE), Mira (May Hong/Audrey Nuna) e Zoey (Ji-young Yoo/Rei Ami). Elas precisam equilibrar suas carreiras enquanto escondem seu legado como guerreiras místicas, lutando com magia e música para proteger nosso mundo de demônios, liderados por Gwi-Ma (Lee Byung-hun).
O destaque aqui vai para o carisma de nossas protagonistas, com uma amizade bem construída entre as três. Mira é a coreógrafa do grupo, Zoey é a rapper e Rumi, a vocalista principal, que esconde um grande segredo – ela é uma híbrida entre humano e demônio, e busca de toda forma “apagar” sua herança indesejada. A dinâmica entre elas funciona muito bem, reforçando suas personalidades ao mesmo tempo distintas e complementares, e, juntamente com as performances musicais e coreografias, é um dos pontos mais fortes da animação dirigida por Maggie Kang e Chris Appelhans.

Utilizando suas vozes e o coro dos fãs por todo o mundo, o trio mantém ativa uma barreira milenar de proteção criada para afastar os demônios, o Honmoon. Com poder suficiente, ele se tornará dourado, mantendo a ameaça contida permanentemente – mas é claro que os antagonistas ainda têm uma última carta na manga.
O surgimento dos Saja Boys, demônios disfarçados de uma boyband, abala os planos e a confiança das HUNTR/X. Enquanto os grupos se confrontam (seja nos palcos ou na pancadaria), é o seu líder, Jinu (Ahn Hyo-seop/Andrew Choi), um demônio que guarda grandes arrependimentos em seu passado, que contraria todas as expectativas e ajuda Rumi em um momento de vulnerabilidade, fazendo-a se questionar sobre si mesma e o motivo de sua luta.
São justamente essas dúvidas que vão colocar Rumi em sua jornada de descoberta e autoaceitação. Ao longo do filme, ela tenta a todo custo esconder as marcas que denunciam sua herança e finge estar bem para suas amigas, o que só acaba por afastá-las. É somente quando as três aceitam suas diferenças e entendem que sua força vem da confiança uma na outra que conseguem enfrentar a grande ameaça, ao som da bela What It Sounds Like.

Além da rivalidade presente na trama, o embate entre os grupos atua também como um comentário sobre a cultura de “superfãs” e suas atitudes de comunidade, identidade e defesa (ou ataque) a um determinado grupo ou artista – muitos chegam a competir por seus ídolos favoritos, criando até mesmo campanhas de ataques massivos em redes sociais. E nesse sentido, a trilha sonora tem um papel central.
Aqui, as performances musicais têm protagonismo. Começando pelo visual, vibrante e misturando estilos que remetem aos animes e clipes de K-Pop, trazendo uma fluidez estilizada e estabelecendo uma identidade própria para o filme. Mas o verdadeiro show são as músicas em si, com mensagens de união, aceitação e alegria, unidas à mensagem de enfrentar seus próprios demônios, o que explica por que o título conquistou milhões de fãs em diferentes partes do mundo.

A trilha sonora do filme fez história ao colocar o grupo fictício no topo da Billboard Hot 100 com Golden, que também foi a segunda faixa de K-Pop mais ouvida mundialmente no Spotify em 2025. O sucesso nas paradas globais se reflete também na chuva de prêmios que a produção vem colhendo, fazendo história ao ganhar nas 10 categorias em que foi indicada no Annie Awards, considerado o Oscar das animações, incluindo Melhor Filme e Melhor Música.
O filme levou também os prêmios de Melhor Animação e Melhor Canção Original, no Globo de Ouro 2026, e Melhor Canção Escrita para Mídia Visual no Grammy 2026, com Golden se tornando a primeira música de K-Pop a ganhar um gramofone na história. E a lista de troféus ainda deve aumentar, já que a animação também foi indicada ao Oscar 2026 nas categorias de Melhor Animação e Melhor Canção Original, com favoritismo para levar ambos os prêmios para casa.
Guerreiras do K-Pop foi um “All-Kill” (como dizem os fãs quando um artista domina todas as paradas) que ninguém previu, mas é uma grata surpresa e um lembrete do porquê amamos música: ela nos conecta, nos protege e nos dá voz. Com uma sequência confirmada pela Netflix e prevista para 2030, só nos resta esperar que a próxima turnê das HUNTR/X seja tão boa quanto a sua estreia.


Deixe um comentário