Canada’s Drag Race 6 cura todas as feridas

É raro, mas acontece: Drag Race coroou uma vilã autodeclarada e orgulhosa do título

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O antídoto para a canseira e o ar previsível de Drag Race nas temporadas recentes está no Norte, mais especificamente em Canada’s Drag Race 6, virtuosa Corrida comandada por Brooke Lynn Hytes que, dentro da vasta mitologia do programa, reafirma o poder da meia-dúzia. Depois das seasons de Bianca del Rio, Kylie Sonique Love e Kyran Thrax, o reinado de Van Goth não deixa dúvidas da qualidade e do drama que só o sexto ano de uma franquia pode proporcionar.

Vamos pela ordem cronológica: em Not Sorry Aboot It, as competidoras foram divididas para escrever versos e desfilarem, resultando num Top 5, exaltado pela qualidade da música e dos vestidos – e com a presença ilustre da rapstress Lemon. Mas, sem uma eliminação ou dublagem pela vitória, a campeã da semana teve a chance de Dublar ao lado da apresentadora e na frente da convidada especial, Paula Abdul, o icônico hino Cold Hearted, eternizado na performance de Coco Montrese e Alyssa Edwards na season 5.

Aludindo às atrações circenses, a sexta temporada de Canada’s Drag Race trouxe o americano Carson Kressley para o painel recorrente de jurados (Foto: World of Wonder)

Van Goth ascendeu ao posto de favorita de cara, vencendo quatro (ou três e meio…) desafios ao longo da temporada. Dita como filha do makeover de Kandy Muse e Gottmik na temporada 13, Van instigou drama, cutucou as abelhudas do Ateliê e arrasou na Costura, garantindo o Win em todas as tarefas que envolviam linha e agulha. Em contraste, a estrela de Eboni La’Belle cresceu e brilhou aos poucos, com destaque na Batalha de Reading, no Lalaparuza que a coroou Assassina de Lip Syncs e na semi-final, quando venceu o round de Nerve.

Sami Landri, a eclética e brega diva francófona instaurou um novo nível de camp e feiúra na passarela, trazendo a estética nonsense da internet para Drag Race e sendo aplaudida por tal feito. Hilária e carregada de chavões das peruas e do vale da estranheza, ela ganhou o Improv e chegou à Final sobrevivendo ao Lip Sync que provou seu Talent na tumultuada coleção de mini-desafios, cada um reconhecendo uma das letras do CUNT.

Brooke Lynn reafirma seu tato e pulso firme no posto de Drag Mother das competidoras (Foto: World of Wonder)

O carisma foi todo de PM, artista drag que aderiu ao androginismo e ao dedo do meio aos padrões de gênero e feminilidade. Embora cheia de obstáculos, com quatro passagens pelo Bottom (1 Castor Dourado e 3 Lip Syncs), a queen esticou os músculos de performance e mandou embora um quarto do elenco. 

A aliança de palhaços do freak teve o triunfo de Sami e PM, e a presença magnética, deslumbrante e deleitosa de Velma Jones, artista que também serve realeza king (com o sedutor Johnny Jones). Destaque semana sim, semana não, Velma conquistou jurados e fãs pela perspectiva fresca e carregada de personalidade de sua montação, fazendo história ao entrar no Ateliê com um look todo adornado com absorventes menstruados. Pena que sua passagem acabou no Lalaparuza, na habitual eliminação dupla que o Canadá faz para machucar quem assiste.

O Snatch Game viu o retorno de Donatella e Zeus no painel de jogadores (Foto: World of Wonder)

Mya Foxx dividiu o posto de eliminada da semana com Velma, saindo depois de vencer o Snatch Game (na pele da vidente fajuta Theresa Caputo). E por falar no temido desafio de imitação, a temporada inovou ao propor uma escolha: Snatch ou Costura. Em Pick Your Poison, o elenco dividiu-se entre a comédia e a agulha, rendendo duas winners, dois Castores e a eliminação de Star Doll, aliada de Van Goth que viu sua amiga jogá-la aos lobos.

O choro de Star silenciou o palco e a passarela, rendendo um momento para lá de incomum mas muito bem-vindo: Brooke saiu da bancada e caminhou até a queen, abraçando-a e assegurando que aquele momento não definia sua carreira, sua arte ou sua capacidade. 

Apesar de curta, participação de Star Doll rendeu lágrimas e uma briga no reencontro da Final (Foto: World of Wonder)

Embora não houve tanta demonstração de tristeza por parte da Porkchop, os fãs choraram desolados ao ver a eliminação de Paolo Perfección em Yachty Girls, desafio de comercial que deu a vitória para uma desconexa Saltina Shaker. Dona do verso mais quotável da premiere, Paolo e sua model pussy não foram páreo para o camp de Sami, no que se provou um Lip Sync icônico, desvairado e que remedia os tantos outros shows formados por pulos, saltos e espacates.

Em Reading Battles are Back Back Back Again, Alyssa Edwards continuou sua turnê pelas diversas franquias e ajudou as competidoras na luta cômica. No Bottom, PM fez sua primeira vítima em Hazel, a beldade que patinou contra Karamilk no Reading e acabou eliminada ao som de Dumb Blond, de Avril Lavigne e apenas de Avril Lavigne, é sério, a música não tem participação especial de ninguém, não precisa pesquisar.

Inovando em formato, Canada’s Drag Race deixou o destino nas mãos das drags, que escolheram entre Costura e Imitação (Foto: World of Wonder)

Paris (Ontario) Fashion Week, o segundo desafio de costura da season, repetiu o hit do ano passado, com as queens criando looks para que Brooke desfilasse. Van Goth venceu, , e Saltina Shaker, uma das personagens principais da temporada, foi eliminada, adivinhem, por PM. Sua saída, embora coerente pelo desempenho semanal, mostrou que a produção não protegia suas frontrunners a qualquer custo – e sabia recompensar um bom Lip Sync, independente do histórico.

Na semifinal, chamada de Charisma, Uniqueness, Nerve, and Talent, quatro desafios definiriam as finalistas da sexta temporada. O C foi de PM, com a performance no rap que recapitulava a season 4. O U foi de Van, que transformou o vestido preto básico numa peça de brilhar os olhos. O N foi de Eboni e seu monólogo emocional. Para o T, Sami derrotou Karamilk no Lip Sync. E assim foi sagrado o quarteto que disputou a Coroa e o cetro.

Van Goth tornou-se a primeira drag a vencer quatro desafios na franquia canadense (Foto: World of Wonder)

No nono e último episódio, a tarefa foi gravar e coreografar números musicais. À parte das apresentações cativantes de PM e Sami, o track record falou mais alto e colocou Van e Eboni no Top 2. Antes do Lip Sync, as queens debateram os momentos ácidos da season, com Dulce soltando os cachorros em Hazel, minutos antes desta ser escolhida a Miss Simpatia. Foi ao som de Super Graphic Ultra Modern Girl que The Virgo Queen passou a Coroa para Van Goth – no ato conclusivo mais hábil possível para tudo que aconteceu desde a estreia. 

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