Drag Race France 4: o decepcionante retorno de uma gloriosa franquia

Com mais semanas no Bottom do que no Top, Lana Cotta venceu a 4ª temporada da franquia francesa

min de leitura

O elemento mágico que fez das primeiras temporadas de Drag Race France um deleite ficou faltando na quarta. Apesar do elenco com queens versáteis e do twist narrativo da Baguette D’or, a corrida que consagrou o reinado de Lana Cotta acabou mais decepcionante do que o aceitável.

A estranheza começou na revelação do material promocional: embora os principais visuais tenham sido criados pelo artista 3D Alex Bronnings, os fundos individuais das fotos geraram controvérsia por terem sido produzidos com inteligência artificial generativa. No Verão Drag, com a exibição praticamente simultânea de quatro diferentes versões do programa, France 4 já saiu perdendo.

Ex-participante da season 1 e do All Stars 1, Kam Hugh patrocinou o prêmio da ganhadora com sua linha de maquiagem (Foto: World of Wonder)

Drag Academy, a estreia, teve o número Belle et Fière performado na frente da jurada convidada Isabelle Adjani: mais chique que isso, não existe. Na passarela, o tema Dress Excess coroou o lado fashion de Azémylia, colocando no Bottom o carisma cômico de Margarette, que eliminou Creatine Price ao som de Golden, das Guerreiras do K-Pop.

Na sequência, o Show de Talentos batizado como La Boulangerie Est Ouverte foi palco da eliminação da outra queen negra do elenco: a delirantemente fascinante Malawitte, primeira mulher cisgênero a competir na França – e quinta no escopo global de Drag Race. Sua eliminação precoce, frente à apagada Holly White, afundou um pouco mais a corrida de Nicky Doll, que admitiu a longa amizade com Holly – algo azedo aos olhos da audiência.

A quarta temporada de Drag Race France foi a primeira da franquia francesa em que todas as competidoras passaram pelo Bottom pelo menos uma vez (Foto: World of Wonder)

A winner do Talent Show (e da passarela Intergalactic) foi alguém acostumada aos bastidores e ao Werk Room: Daisy Superbitch foi Pit Crew do Drag Race Bélgica antes de desfilar pela Coroa na França. Veterana, a queen protagonizou a temporada e, ao lado de Azé e Lana Cotta, chegou à Final com potencial de sagrar-se campeã. 

O tão esperado Drag Vinci Code, The Musidrag rendeu saldo zerado: afinal, Margarette foi eliminada, mas vimos o desfile impressionante de Fluffy Bidule, que usou da categoria Uma Noite no Museu como espelho de sua arte e inventividade. A rainha trans interpretou Monalisa no desafio e roubou a cena, com os olhares, a pose e a interpretação de um ícone queer

Fluffy Bidule recriou The Angel of Hearth and Home, de Max Ernst, para a passarela mais icônica da temporada (Foto: World of Wonder)

Com a Baguette D’Or passando da queen eliminada para quem sobreviveu ao Lip Sync (uma decisão que salvou Holly White pouco depois de vencer o Reading e “sair da concha”), foi Lana a encarregada de eliminar Margarette; e foi este o começo da história da jovem queen com o artifício dourado em direção à Coroa.

Antes, outro twist: Lana Cotta vence o Le Grand Snatch Game com sua imitação de Céline Dion, e o elenco enfim manda Holly White embora. Fluffy salva-se com o poder da baguete, e a categoria culinária Entrée, plat, dessert evidencia os reveals e a criatividade das competidoras. A até então imbatível Azémylia precisa eliminar sua amiga próxima, ao som de Clic Clic Pan Pan de Yanns, o tipo perfeito de canção para Drag Race.

O Snatch Game contou com imitações de Fauve Hautot, Jacques Chirac, Marianna James, Mariah Carey, Lara Fabian, Céline Dion e Franck Ribéry (Foto: World of Wonder)

Pop Couture trouxe costura, composição e dança para a passarela: em dois trios, as queens batalharam e apenas um sobreviveu. A equipe formada por Azémylia, Daisy Superbitch e Sublyme saiu com a vitória, deixando Lana com a baguete – e uma dolorosa eliminação de Fluffy, engolida pela simpática, embora subaproveitada, LaHarpie. 

Tratando-se de uma season recheada de subidas e descidas, LaHarpie venceu o Makeover, La Maison Du Drag, episódio sem eliminação. No Bottom, Daisy e Sublyme tremeram na base ao ver Nicky sair da bancada e se juntar às queens no palco e anunciar a decisão de Double Shantay. A música dublada foi Voilà, de Barbara Pravi.

Para encerrar a etapa competitiva do show, The Wedding Of Daphné And Loïc uniu Stand-Up e Roast num dos capítulos mais contestáveis da temporada. Lana venceu e Daisy se juntou a ela no Top, deixando Azé eliminar LaHarpie, apesar da performance razoável e indigna de integrar o Bottom. Tattoo, da convidada Loreen, foi novamente entoada nos estúdios de Drag Race, dando partida na Grande Final – e na disputa mais aberta e desinteressante da franquia francesa até então.

Isabelle Adjani retornou para o palco da Grande Final (Foto: World of Wonder)

Após apresentações individuais das quatro finalistas, Nicky fez o improvável: eliminou Azémylia em favor de Daisy e Lana, eleitas o Top 2 da temporada. Margarette recebeu o título de Miss Simpatia, a campeã Le Filip retornou para passar o legado e, após um Lip Sync de Hung Up, Lana Cotta converteu-se na vencedora mais jovem e com histórico mais negativo da série. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *