The Fall and Rise of Reggie Dinkins conquista tudo com facilidade

Produzida por Tina Fey, nova comédia carrega com louvor o legado metalinguístico da TV

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Em tempos de apostas, proliferação do tigrinho e suspeitas sobre manipulações no esporte, o jogador de futebol americano Reggie Dinkins (Tracy Morgan) chegou adiantado. Em 2005, sua então meteórica carreira acabou quando, por engano, ele admitiu o jogo de azar em uma das partidas e foi banido da NFL. Agora, ele quer um recomeço.

Na série criada por Robert Carlock e Sam Means, o DNA de 30 Rock está mais do que na posição de Tina Fey na produção executiva, na escalação de Morgan no papel protagonista, na caneta de Carlock ou na aparição de diversos atores crias do Saturday Night Live. O humor, assim como em todas as produções anteriores, é feito pela surpresa. O contraste entre o que esperamos dos personagens e o que eles de fato dizem e fazem é o motor do riso.

O co-criador Sam Means venceu o Emmy por The Daily Show with Jon Stewart, escreveu para 30 Rock, Parks and Recreation, Kimmy Schmidt e Girls5eva (Foto: NBC)

The Fall and Rise of Reggie Dinkins se centra na chegada de Arthur Tobin (Daniel Radcliffe), documentarista que venceu o Oscar mas enlouqueceu na gravação de um filme da Marvel. Desde então, o vexame no set tornou-se público e a maneira de reconstruir a carreira foi justamente contando a história de outra figura manchada na história do entretenimento.

Meio falso documentário, meio comédia de situação, e inteiramente pautada na insolente é maluca rotina da família de Dinkins, a primeira temporada é curta, mas efetiva. São dez episódios de vinte minutos, acompanhando Reggie, Arthur e os demais envolvidos na mitologia futebolística do protagonista.

Indicada 12 vezes ao Emmy, Beth McCarthy-Miller dirige quatro dos dez episódios da primeira temporada (Foto: NBC)

A empresária Monica (Erika Alexander, de Ficção Americana) se dá bem com o ex-marido e com a atual noiva dele, Brina (Precious Way), uma bem sucedida, embora indecisa, influencer com um pé na Música. O filho Carmelo (Jalyn Hall, de Till), no limiar entre a adolescência e a vida adulta, é atencioso e sábio para além de sua pouca idade.

Rusty (Bobby Moynihan), companheiro de Reggie desde os tempos da NFL e atualmente o maior arquivista do acervo do ex-jogador, faz de tudo para agradar e facilitar a vida do amigo. Juntos, os personagens interagem de forma nada esperada ou batida, rendendo as habituais piadas que fazem uso do contexto familiar com o zeitgeist. Não há tema tabu, com grande parte da graça partindo do desconforto e do absurdo, marcas registradas de Unbreakable Kimmy Schmidt, série também criada por Robert Carlock.

O trabalho de escalação de elenco da dupla Cody Beke e Seth White merece aclamação e prêmios pela união mais improvável com resultados positivos e hilários (Foto: NBC)

Mas o que diferencia The Fall and Rise of Reggie Dinkins de todos os projetos pós-30 Rock dos produtores é a materialização de personagens cientes do mundo louco mas ainda dispostos a serem maravilhados pelo fator imprevisível. Com participações especiais de nomes como Craig Robinson, Heidi Gardner, Anna Camp, Ronny Chieng e até Megan Thee Stallion, a mitologia se estabelece com facilidade e deixa o gosto de quero mais ao final do décimo episódio.

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