Dirigido por Mohammadreza Eyni e Sara Khaki e indicado ao Oscar 2026 em Melhor Documentário, Cutting Through Rocks é carregado pela presença magnética e acachapante de Sara Shahverdi. Como a primeira vereadora eleita de sua vila no Irã, ela desafia tradições patriarcais ao ensinar adolescentes a andar de moto e combater o casamento infantil.
E, por se tratar de uma figura “subversiva” aos costumes locais, não demora para que surjam infundadas acusações sobre suas intenções, que colocam a própria identidade de Sara em crise. É com revolta e consternação que o filme, premiado na seção de Documentários Globais de Sundance, coloca em prática sua doutrina.
Cutting Through Rocks rasga um pedaço cruel e solitário da vida de sua protagonista, mostrando que, apesar de todas as imposições e as negativas que recebe à torto e à direito, nada é páreo para o sentimento de liberdade e de justiça que ela propaga. Para cada não, ela devolve com sim. Para cada obstáculo, ela contorna o ambiente e chega ao objetivo, mesmo que com atraso.

As cenas que capturam suas viagens de moto são emolduradas pela areia do deserto e pela presença quase que fantasmagórica do machismo e do sexismo. Nos ambientes parlamentares, além de ser a única mulher, Sara é constantemente silenciada e passada para trás. Mas ela não se acanha.
Enfrentando Deus e o mundo, sua missão de espalhar conhecimento, oportunidade e de cessar qualquer violação de direitos das jovens garotas da cidade, forçadas a se casar antes de completarem doze anos, e retiradas das salas de aula, forma um manifesto de poderio imbatível e invejável, sem dúvidas, colocando-a no panteão das grandes personagens, ao lado de Ajike Owens e Andrea Gibson, que encabeçam os títulos de não-ficção da temporada.


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