Vencedores do Oscar | Feitiço da Lua (1987)

Cher e Olympia Dukakis foram as vencedoras do Oscar 1988 de Atriz e Atriz Coadjuvante

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O roteiro de Feitiço da Lua (Moonstruck), comédia romântica que saiu do Oscar 1989 com metade das seis indicações convertidas em prêmios, é tão bem escrito e cautelosamente detalhado que qualquer membro da família Castorini daria um protagonista de respeito em qualquer outra obra. Mas é na figura de Loretta, vivida e eternizada por Cher, que o longa se propulsiona.

Derrotando titãs da indústria em papéis muito mais agradáveis ao paladar da Academia, a estrela pop vestiu seu icônico modelito desenhado por Bob Mackie e subiu ao palco, agradecendo com afinco o Oscar de Melhor Atriz. Junto dela, Olympia Dukakis foi escolhida a Melhor Atriz Coadjuvante, numa dupla de prêmios em que as intérpretes devem muito uma à outra. Afinal, as cenas entre mãe e filha são o deleite e o creme brulée sob a direção de Norman Jewison.

Além das vitórias em Atriz, Atriz Coadjuvante e Roteiro, Feitiço da Lua disputou os prêmios de Melhor Filme, Direção e Ator Coadjuvante para Vincent Gardenia (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)

A histórica acompanha Loretta, uma contadora viúva que está mais perto dos quarenta do que dos trinta. Ao ser pedida em casamento pelo namorado Johnny (Danny Aiello), ela aceita mas impõe condições: quer véu e grinalda, quer anel e quer cerimônia na igreja. Seu marido anterior, morto num acidente de trânsito, não providenciou nada disso – e ela acha que o azar veio daí.

Sua família concorda, embora o arquétipo dos italianos que mais gesticulam do que argumentam pareça esboçar uma visão paupérrima dos personagens. O roteiro de John Patrick Shanley, agraciado também com o Oscar, nega qualquer preocupação. A mãe, Rose, é uma flor em desabroche, mais tristonha que alegre com a muito provável mas não confirmada pulada de cerca do marido, Cosmo, interpretado por Vincent Gardenia.

Moonstruck marcou a segunda indicação ao Oscar de Cher, 4 anos depois de perder por Silkwood; ela se afastou do Cinema e declarou achar difícil demais o ramo da atuação (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)

O avô (Feodor Chaliapin) de Loretta, um italiano que já era idoso nos tempos da Guerra, passeia com uma matilha de cães pela Nova York noturna, sempre encantando pelo luar incandescente. É a lua que dá título ao filme e coloca Loretta na rota de Ronny (Nicolas Cage), irmão distante de seu noivo por quem ela acaba se apaixonando.

Enquanto o futuro marido está na Sicília, no leito de morte da mãe, Loretta conhece o cunhado e convida-o para o casamento. Maneta, o dono da padaria é todo explosivo em rojões de raiva, que logo se desfazem na chama da paixão proibida. O cabelo volumoso e com vida própria de Cher emoldura o primeiro beijo, entre suor do forno de pães e a inquietude que só a Lua – e o coração pulsante – são capazes de conjurar.

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