Tudo fica melhor na 2ª temporada de Percy Jackson

Adaptação de O Mar de Monstros melhora o livro e amadurece trama juvenil

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Perdida na nublada decisão de entreter um público alvo jovem demais, a versão televisiva de Percy Jackson e os Olimpianos mudou a rota na segunda temporada. Mais jocosa, colorida e extravagante, a aventura do semideus em busca do Velocino de Ouro marca um alvorecer criativo e para lá de necessário para a saga de Rick Riordan fora da Literatura.

Adaptando O Mar de Monstros, o livro mais curto – e não tão memorável – da série, a temporada deixa para trás a origem e os maravilhamentos de estreia para mergulhar no oceano mitológico que coloca Percy (Walker Scobell, muito mais a vontade no papel) na reta do vilão Cronos.

Com os atores mais experientes, temporada brinda quem assiste com sequências empolgantes, caso da corrida de carruagens e do uso dos vocais agudos de Mariah Carey para afastar os monstros (Foto: Disney+)

O showrunner Jonathan E. Steinberg cria uma porção de soluções para que a história de Jackson não seja a única a ser contada e ouvida, desenvolvendo os medos, percalços e triunfos de Annabeth (Leah Sava’ Jeffries), Clarisse (Dior Goodjohn) e Luke (Charlie Bushnell). A sábia decisão enriquece o escopo da produção, e levanta bolas que só serão finalizadas ao decorrer dos próximos anos.

A chegada de Tyson (Daniel Diemer), o meio-irmão ciclope de Percy é vital para que o herói sinta-se protegido e também hábil para proteger seus companheiros. E o romance com Annabeth, ainda na fase embrionária, floresce com calma. Isso é, quando os monstros dão trégua, caso do SPA de C.C., a feiticeira perdida na vida a quem Rosemarie DeWitt, de Sorria 2 e The Boys, interpreta com tanta garra.

Mães: Virginia Kull continua encantadora como Sally Jackson, enquanto Andra Day faz uma estreia tímida como a deusa Atena (Foto: Disney+)

Outro dos pontos de tensão do novo ano é a relação fraternal entre Luke, Annabeth e Thalia (Tamara Smart), a filha de Zeus que se sacrificou para proteger o Acampamento Meio-Sangue e agora se vê envenenada pelas maldades do titã Cronos e seu exército em construção. Trazendo excertos de outros volumes da coleção de Riordan, o roteiro vai ao passado da filha de Atena e aumenta o escopo dramático da traição do antigo amigo e protetor.

De antagonista bocuda, Clarisse La Rue assume o posto de líder da missão, ocupação atribuída por um estressado Tântalo (Timothy Simons) na ausência de Quíron. A filha de Ares encara a própria bravura com uma tripulação de soldados mortos em guerra (tanto as sangrentas quanto as do streaming), e precisa superar o arquétipo de durona sem coração para salvar o Acampamento e cumprir a profecia do Oráculo.

A temporada mantém Grover vestido de noiva, mas opta por mudar o despertar de Thalia e sua relação antagônica com Percy (Foto: Disney+)

Com muito em jogo e com o relógio correndo em oposto à direção que Percy segue, a temporada dedica ao jovem Grover (Aryan Simhadri) a função de lidar com o ciclope Polifemo (Aleks Paunovic), um monstro ardiloso e quase cego que de bobo não tem nada. Em sua ilha, o ápice acontece com a briga pelo Velocino, artefato capaz de curar a Árvore de Thalia e também acelerar a recuperação de Cronos. 

Fica claro, porém, que o título do livro não corresponde ao clímax da história, o que transforma O Mar e a ilha do ciclope em paradas corridas até o destino: as barreiras do Acampamento Meio-Sangue. Quando a ação se desenrola ao pé da Árvore e Luke vê o futuro de Cronos pelo veneno que plantou nos semideuses, só resta a Percy a função de dar tudo de si – e ele o faz.

Substituindo o ator Lance Reddick, falecido em 2023, Courtney B. Vance assume o papel de Zeus com a sisudez e o temperamento forte do Rei do Olimpo (Foto: Disney+)

Percy Jackson ultrapassa a marca de adaptação dos filmes e agora pode voar sozinha em direção aos diversos acontecimentos e encontros que a versão de Logan Lerman não sonhou em tocar. Com as gravações da season 3 e sua confirmação para 2026, e o fantástico e trágico A Maldição do Titã no horizonte, a esperança é que os tempos cinzentos do passado fiquem por lá. 

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