Na esteira de um badalado e mais popular do que nunca Big Brother Brasil 26, a TV Globo apostou na produção de telefilmes que ganhariam espaço tanto no streaming quanto na programação do canal, sendo assistidos na casa pelos brothers e sisters da edição. Um Dia Extraordinário provém de Santa Catarina e fala de uma família em processo de cisão.
Dirigido por Cíntia Domit Bittar, a mesma realizadora do recente Virtuosas, exibido na 49ª Mostra de SP, o longa acompanha Moira (Alana Bortolini), uma mulher de trinta e poucos anos que se vê soterrada pelas obrigações com a mãe idosa e a fazenda onde moram.
Mas não é apenas a idade que acomete os comportamentos de Ivete, decorada pela atuação tocante e arrebatadora de Margarida Baird. A senhorinha teima com alienígenas desde a infância dos filhos e, depois de um agroglifo surgir na plantação da casa, a mídia cai em frenesi.

Tamanha atenção chega aos ouvidos e à TV dos filhos mais velhos (e distantes) de Ivete. De bate-pronto, Cecília (Paula Braun) e Maurício (Valdir Grillo) voltam para a casa do passado e se deparam com questões mal resolvidas tanto com a senhora sua mãe quanto com a irmã, mais nova e com outra visão do que significa conviver com os pais na terceira idade.
Bittar, que escreve o roteiro com Maria Augusta V. Nunes, acalenta as situações triviais dos dramas familiares com toques de humor e de sci-fi pelo absurdo dos alienígenas. E, nesse encontro entre o exotérico e o humano, Um Dia Extraordinário materializa questões sentimentais em diálogos descomplicados e por vezes com poder de curar e remendar certos vazios.

Ao cercar a família em crise com personagens periféricos que levantam pontos pertinentes (como os sobrinhos curiosos e a querida e simpática namorada de Moira, papel de Sarah Motta), o filme dá conta de traçar um plano de eficácia em pouco menos de uma hora. É para rir, para se emocionar e para imaginar o que torna os bons momentos em fotografias sem data de validade.


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