Marvel’s Spider-Man 2 é daqueles títulos que toda criança vidrada em super-heróis cresceu sonhando em jogar: exploração da cidade entre teias e prédios, grandes arcos dos personagens principais e um catálogo invejável de referências e homenagens. Unindo Peter Parker e Miles Morales sob uma série de eventos traumáticos, o game consolida um ideal.
Dono da galeria de vilões mais icônica da Marvel, o Homem-Aranha ostenta tantos malvados e malvadas que consegue dispersá-los ao longo dos três jogos da franquia; desta vez, a ameaça atende por Kraven, o Caçador. Ao menos no início, já que Spider-Man 2 convulsiona diversos personagens em prol da narrativa plural e multifacetada.

10 meses depois dos eventos de Miles Morales e depois da viagem de Peter (voz brasileira de Diego Marques) e MJ (Rebeca Zadra), o casal volta à NY, onde Miles (Ítalo Luiz) tenta equilibrar a vida civil, prestes a ingressar na universidade, e os deveres como herói.
Sem necessidade de introduzir os conflitos internos, o jogo mergulha de cabeça na rotina dos Aranhas, com o mais velho atuando como professor para o mais novo. O Homem-Areia ataca a cidade e os planos de carreira de Peter vão por água (ou poeira) abaixo. A constatação da dupla é preocupante: alguém está caçando e executando os vilões, com Scorpion, Lizard, Tombstone e Mr. Negative na lista de presas.

Dublado por Rodrigo Lombardi, Kraven, icônico nêmesis do Aranha nos quadrinhos, é encenado com imponência e selvageria, tanto no porte quase animalesco, como na maneira que o roteiro adia sua chegada e, mais para frente, demora a colocar herói versus vilão para saírem no braço. Peter e Miles balançam entre missões menores, aventuras paralelas, e os percalços do dia a dia, como o novo emprego de MJ no Clarim Diário, as ações política de Rio Morales, mãe do caçula, e o retorno de Harry Osborn (Rafael Rheda), acontecimento que veio à luz no título anterior da franquia.
Recuperado e trajando uma tecnologia ainda desconhecida mas potencialmente milagrosa, Harry acena para o futuro com Peter e a Fundação Emily-May, forma de homenagear as falecidas figuras femininas dos amigos. Tudo parece bom demais, e o simbionte preto e branco toma posse do corpo de Peter, deixando o fragilizado e doente Osborn à mercê do destino.

Peter cai na infinita fossa que dará origem à Venom (Francisco Júnior), com o jogo aproveitando destes momentos para brincar com a moralidade dos super-heróis e até deixar que o jogador comande o simbionte em momentos-chave da história. Isto é, o embate sangrento e fatal contra Kraven, vilão que some da narrativa quando o verdadeiro manda-chuva da parada surge, aparentemente imbatível.
Spider-Man 2, também, questiona a lealdade e o amor daqueles que rodeiam Peter, cobrando deles atenção e zelo em medidas impossíveis de serem sanadas. Miles, por outro lado, protagoniza a própria jornada de amadurecimento ao reconhecer os feitos de Martin Li, seu papel na morte do pai do garoto, e a certeza de que, embora não perdoará o vilão, é possível seguir em frente.

Até as namoradas ganham destaque “jogável”, com MJ reprisando cenas recheadas de esquivas e correria, e a novata Hailey sendo foco de uma missão terciária que envolve sacudir o controle para pintar um muro. A jovem surda é agraciada com um design de som muito caprichado em suas ações individuais.
Nas side-quests, Black Cat, Prowler, Sandman e Venom rendem recompensas particulares e pontuais, como na inclusão dos fragmentos de cristal de Flint Marko, os antigos covis de Aaron Davis e os ninhos de simbiontes que precisam ser destruídos em tempo contado. Mysterio e Kraven também estão entre os coadjuvantes de luxo, com pequenos mini-games que misturam ilusões e o poderio militar da gangue do caçador.

No que tange os aspectos evolutivos dos heróis, Spider-Man 2 não decepciona, permitindo customizações de arrepiar a espinha dos fãs mais radicais. Trajes icônicos, referências a momentos passados do Cinema e da TV, e até uma piscadela passageira para o vindouro game do Wolverine, marcado pela Insomniac para lançamento em poucos meses, estão no guarda-roupa disponível.
Com a inédita adição das Asas de Teia, os heróis podem planar pela cidade e pegar atalhos no túneis de vento. A ajuda também se mostra presente na figura de Yuri, ex-policial que assume a alcunha de Wraith para lutar contra os Cultistas do Fogo, grupo liderado pelo futuro avatar de Carnage. O traje Anti-Venom, vital para a parcela final do jogo, é uma delícia de ser usado, com golpes milimetricamente desenhados para fritar os aliens e, no processo, dar paz de espírito a quem aperta loucamente os botões de combo.


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