No último ano do Ensino Médio, o semideus Percy Jackson só quer uma transição suave da adolescência para a vida adulta, para a faculdade e para o conforto da relação com Annabeth Chase. Depois de derrotar Cronos, Gaia e uma porção de monstros, o herói de Rick Riordan retorna em O Cálice dos Deuses, apêndice da saga principal.
Publicado em 2023, o “sexto” livro de Percy Jackson e os Olimpianos serve de reintrodução aos percalços do personagem, cronologicamente inserido depois de O Sangue do Olimpo e antes de As Provações de Apolo. A ideia de trazer Jackson em aventuras inéditas casou com o lançamento da série do Disney+.

Riordan dedica o livro ao trio de atores que dá vida aos protagonistas do seriado, e logo insere o leitor no mundo do herói: prestes a se formar, o filho de Poseidon precisa reunir três cartas de recomendação de deuses. Portanto, a nova trilogia de romances acompanhará, aos poucos, as missões que terminarão com o objetivo concluído.
A primeira bucha enfrentada por Percy, Annabeth e o fiel sátiro Grover é a de recuperar o Cálice de Ganimedes, o copeiro dos deuses. O esqueleto narrativo é o mesmo de sempre: missão dada, encontros malucos, consequências aparentemente avassaladoras, luta pra lá e pra cá, e conflito resolvido.

O que muda em O Cálice dos Deuses, além da presença de figuras mitológicas diferentes e inéditas para a saga, é o fator temporal. Riordan deixa que as ações tomem parte ao longo de vários dias, indo na contramão da correria que guiava os livros anteriores. Agora, Percy tem tempo de cozinhar, estudar, entrar para a equipe de natação e até viver banalidades ao lado da namorada, da mãe Sally e do padrasto Paul.
Como ferramenta de nostalgia e conforto, o livro cumpre sua função com êxito de sobra, divertindo quem lê com os olhos de um atrapalhado, mas profundamente capaz, Percy Jackson, agora munido dos conhecimentos dos anos que passou entre a foice e a espada. Riordan relembra a leveza e o humor constrangedor que o consolidou no gênero sem dificuldade alguma, atualizando parte das piadas para o mundo em que vivemos.
“Às vezes, eu me perguntava se Annabeth gostava da ideia de se casar comigo um dia só porque ficava animada de ter Sally Jackson-Blofis como sogra. Para ser sincero, eu não podia culpá-la”.
E na inserção de Ganimedes, um mortal sequestrado por Zeus e comumente associado como Deus da homossexualidade, a história evolui para uma discussão moral e ética sobre o poderio dos governantes do Olimpo e seu comportamento egoísta e mesquinho. Mesmo que O Cálice dos Deuses dose o subtexto para seu público-alvo infanto-juvenil, há material suficiente para análise e reflexão – uma escalada e tanto dos tempos menos maduros das aventuras iniciais do garoto.


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