Estamos em fevereiro de 2022, véspera da invasão russa na Ucrânia, e a executiva Marija (Zygimante Elena Jakstaite) decide compartilhar um desejo íntimo e poderoso com o marido, o documentarista Vytas (Marius Repsys). Como se Divorciar Durante a Guerra parte de uma situação pessoal para falar de temas universais, como pertencer, agregar e se relacionar com o mundo.
Escrito e dirigido por Andrius Blaževičius, o filme saiu vencedor do prêmio de Melhor Direção na competição World Cinema Dramatic do Festival de Sundance, e chega na Perspectiva Internacional da 50ª Mostra de São Paulo todo polvoroso quanto à política e suas reflexões.
Carregado de discussões acerca de casamento e separação em baixa voltagem, o texto volta-se para uma ácida crítica aos extremismos e a arte como ferramenta vexatória de defesa e ataque. Coproduzido por Lituânia, Luxemburgo, Irlanda e República Tcheca, o filme cerca os protagonistas de decisões intransponíveis, com a criação da filha no meio de um cabo de guerra emocional.

Escolhido para representar a Lituânia no Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional, Como se Divorciar Durante a Guerra esbanja a assinatura leste-europeia e emergente de seu realizador, incumbindo o casal de atores principais a encenar a farsa e a desilusão, especialmente quando a esposa é confrontada com a ética da guerra, e o marido se enviesa para uma performance de sua violência.
Como se Divorciar Durante a Guerra conversa, invariavelmente, com outro título da seleção da Mostra, o francês Minotauro, que detalha o lado de lá do conflito. Menos sisudo ou analítico que o título de Andrey Zvyagintsev, o filme da Lituânia chega a conclusões reconfortantes, ao menos para os envolvidos no toma-lá-dá-cá matrimonial.


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