4ª temporada de Ted Lasso tem futebol feminino e otimismo de sempre

Retorno inesperado do técnico mais amado do mundo é cheio de promessas e novidades

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Três anos se passaram desde que Ted Lasso encerrou, de maneira atribulada e insatisfatória, sua história: casamentos, despedidas, ultimatos, crescimento pessoal e a cartilha de qualquer series finale. Mas a série voltou. Após uma estreia morna e aquém do potencial, a quarta temporada apresentou o time feminino do Richmond e sua trama de amadurecimento e vitória.

O cheiro de soft reboot do início deu lugar a um estranho mas espirituoso retorno às origens, desta vez focando muito na figura de Alice (Tanya Reynolds, a Lily de Sex Education), técnica em transição de empregos que primeiro é demitida e depois readmitida, assumindo o protagonismo moral da série. Acontece que, depois de desenvolver Ted (Jason Sudeikis) por três anos inteiros, não há para onde correr.

Quarta temporada dá destaque para a ex-esposa de Ted, Michelle (Andrea Anders) e seu filho Henry, vivido por Grant Feely após a mudança para Londres [Foto: Apple TV]

Idem para Rebecca (Hannah Waddingham), Keeley (Juno Temple), Higgins (Jeremy Swift), Beard (Brendan Hunt) e Roy (Brett Goldstein), o elenco que retorna de maneira regular e precisa adequar o novo cosmos para suas rotinas bastante equilibradas. Para isso, a série necessita perseguir o próprio rabo, remexendo na relação amorosa de alguns e cutucando o passado de outros.

O brilho da novidade está todo no time de mulheres, a começar por Gemma (Abbie Hern), brilhante centroavante que desistiu da carreira no campo para se formar em Direito. Por ela, e pelas memórias de outrora com Alice, Ted Lasso desenha o arco de crescimento para as jogadoras, de maneira calma e nada apressada.

Uma noite na prisão, rolê pelo pub, festa de Ano Novo e uma visita ao teatro são cenários para os episódios inéditos de Ted Lasso (Foto: Apple TV)

A goleira Boots (Jude Mack) se recusa a calçar as luvas; as irmãs irlandesas Niamh (Aisling Sharkey) e Siobhan (Rex Hayes) são peraltas dentro e fora das quatro linhas; Lizzie (Faye Marsay) é mãe solo de um par de crianças arteiras e precisa conciliar o cronograma familiar com o da temporada; e Shannon (Shannon Hayes) tem tudo para voar, menos a autoconfiança que a impede de jogar bem quando pressionada.

Outra mulher iluminada pela direção e roteiro na quarta temporada é a querida Mae (Annette Badland), dona do pub que se tornou cenário fixo de Ted Lasso, e alguém intrinsecamente ligada ao time feminino e apaixonada pela arte do esporte. A senhorinha ganha destaque na metade para o final do ano, quando a equipe viaja junto dela e realiza sonhos até então dormentes.

Paloma Cinco, irmã mais nova de Cristo Fernández na vida real, é uma talentosa jogadora de futebol e apresenta com o ator o podcast ¡Fútbol es Vida!, em contraste com sua personagem “piscou, perdeu” na série (Foto: Apple TV)

Entre dinâmicas estabelecidas e uma ou outra participação especial (com destaque para o sempre polêmico e apaixonante Jamie Tartt de Phil Dunster), a temporada cria na intragável Zelda, vivida de maneira tão irritante quanto humanamente possível por Tracey Ullman, uma antagonista da pá virada – e daquelas personagens que irritam sem motivo e com força extra.

Sem passar a mão na cabeça da audiência e mostrar o futebol feminino como igual ao dos homens, a temporada fala de dificuldades múltiplas, seja em termos financeiros (menos patrocinadores, estádios mais vazios) até questões pessoais. O mural do Believe ganha novos contornos ao compreender as dificuldades e as nuances das agora protagonistas. Afinal, para elas apenas acreditar não leva muito longe.

Be Alive troca quem canta a abertura: sai o tom jocoso de Marcus Mumford e entra a melancolia de Brandi Carlile (Foto: Apple TV)

Intencionalmente inconclusivo, o décimo episódio da temporada deixa brechas para uma renovação, caso a Apple opte pelo sinal verde. Com Alice mais livre no comando, Keeley e Roy prontos para embarcarem de cabeça na família e Ted aberto para um futuro, seja solteiro, seja conhecendo melhor uma certa funcionária do teatro, tudo é possível, próspero e aconchegante na série que aprendemos a amar e necessitar. 

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