Mariska Hargitay integra o seleto grupo de nepo babies que não compartilham o sobrenome com seu parente famoso. Dama do procedural pelo papel da detetive Olivia Benson, que interpreta até hoje em Law & Order: SVU, ela passou anos fugindo da figura materna, a famosérrima Jayne Mansfield, muito pela maneira que a mídia eternizou a atriz.
Tida como a “loira burra” que competia em popularidade com Marilyn Monroe, Mansfield teve uma vida curta, e deixou marcas imateriais para todos os familiares que protagonizam My Mom Jayne, documentário de Mariska que concorre em 3 categorias do Emmy 2026. O foco é sentimental, sem especialistas na mídia ou na carreira da personagem principal.

Em seu primeiro trabalho atrás das câmeras, Hargitay vasculha memórias há muito empoeiradas, enriquecendo a investigação com os relatos emocionais dos irmãos, da madrasta e, mais para o final, do pai biológico. O ítalo-brasileiro Nelson Sardelli, com quem Jayne teve um caso antes de retomar o casamento com Mickey Hargitay, é o foco da conclusão do filme.
Exibido em Cannes 2025, My Mom Jayne não foi indicado ao Oscar e, portanto, ficou elegível para o Emmy, presente nas listas de Documentário, Direção e Fotografia. Mariska Hargitay, vencedora do prêmio de Atriz em Drama por SVU em 2006, será a apresentadora da edição de 2026 – e pode começar seu monólogo com o título de única pessoa a acumular troféus nos campos da atuação e da não-ficção.

Como base de uma investigação pessoal para a diretora, o filme ganha contornos trágicos pelo luto e a ausência de memórias da mãe. Quando Jayne morreu, aos 34 anos, Mariska tinha apenas 3. Com a ajuda dos irmãos, ela reconstrói, detalhe a detalhe, a mulher que foi muito mais que sua aparência ou a maneira que a TV e o Cinema escolheram caracterizá-la. Catártico, My Mom Jayne possibilita um recomeço tardio para sua realizadora e sua musa.


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