Death by Lightning procura limpar os males da política

Nick Offerman representa uma das 4 indicações da minissérie ao Emmy 2026

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A vida de James Garfield (Michael Shannon) como o 20º presidente dos Estados Unidos da América foi curta. Em apenas quatro episódios, a minissérie Como um Relâmpago (Death by Lightning) se dedica a narrar sua improvável ascensão ao cargo e a inevitável tragédia que lhe tomou de supetão a chance de prover um futuro mais progressista ao país.

O algoz de Garfield ganha a expressividade e a canastrice de Matthew Macfadyen, que transforma seu retrato de Charles Guiteau num mosaico de insanidade e insatisfação. O homem que viria a atirar no protagonista viveu sempre à sombra de um pai abusivo, uma irmã impotente e um cunhado que oferecia apenas desdém. 

O Emmy amou o elenco de Como um Relâmpago, mas em séries diferentes: Betty Gilpin foi lembrada por Widow’s Bay e Bradley Whitford por seu trabalho em A Diplomata (Foto: Netflix)

Criada e escrita por Mike Makowsky (vencedor do Emmy pelo telefilme Má Educação) com base em Destiny of the Republic: A Tale of Madness, Medicine, and the Murder of a President, de Candice Millard, a produção original da Netflix funciona como cápsula do tempo e lição de História, contando um bocado sobre um governante comumente esquecido.

O tom abrasivo do roteiro é quebrado pela direção de Matt Ross (de Capitão Fantástico e Gaslit), que não se intimida pelo objeto de estudo, isto é, a política norte-americana em 1880, e entrega doses equivalentes de drama, humor e emoção. No elenco de apoio, o show é todo de Nick Offerman, indicado ao Emmy 2026 na categoria de Ator Coadjuvante em Série Limitada.

Vencedor do Emmy pelo papel convidado em The Last of Us, Nick Offerman está indicado em 2026 tanto por Death by Lightning quanto por Margô Está em Apuros (Foto: Netflix)

No papel do relutante vice-presidente Arthur Chester, Offerman engordou e se entregou aos devaneios do antigo advogado. Ao lado de um nefasto Roscoe Conkling (Shea Whigham), a politicagem suja e asquerosa vem à tona, para o desagrado da oposição, dentro do mesmo partido, encabeçada por James Blaine (Bradley Whitford).

Com a ideia de contar a vida de fazendeiro a governante de Garfield, sobra espaço para a presença quase milagrosa de Betty Gilpin como a esposa Crete, uma mulher de fibra e disposta a firmar sua presença. Progressista e caro aos direitos da população feminina e negra, o presidente irrita os conservadores que povoavam a capital.

Nick Offerman e Shea Whigham filmaram Missão: Impossível – O Acerto Final no mesmo período em que gravavam esta série (Foto: Netflix)

A paranoia de Guiteau cresce na mesma velocidade das insatisfações públicas, tornando seu ato uma misericórdia que lhe foi propiciada por qualquer forma divina que acredite. Em flashbacks, conhecemos o passado de humilhação do personagem, expulso de uma colônia de “amor livre”, por onde viveu meia década e não se deitou com ninguém. As mulheres o repugnavam. Os homens achavam-no uma piada. O público concorda com ambas as opiniões.

Abaixo do radar do Emmy nas categorias principais, Como um Relâmpago apareceu apenas em quatro disputas: Offerman e o roteiro representam a minissérie na noite principal. Nas técnicas, reconheceram tanto a montagem quanto a direção de fotografia. Mais cedo no ano, Death by Lightning acumulou quatro indicações ao Critics Choice Awards: Minissérie, Ator para Shannon e Ator Coadjuvante para Offerman e Macfadyen. Mike Makowsky venceu a categoria de TV do USC Scripter Award, e Shannon ganhou o Gotham TV de Atuação Principal em Minissérie.

Apesar do retrospecto positivo do ator com a Academia de TV, o duas vezes vencedor do Emmy por Succession não entrou na lista de 2026 (Foto: Netflix)

Para manter a fidelidade ao período, o departamento de maquiagem e penteados criou barbas robustas. Algumas, porém, moram no Vale da Estranheza. Shannon se apoiou cem por cento nas aplicações, enquanto Macfadyen cresceu sozinho, o que foi a base do visual. O resultado final, embora chamativo, logo se adequa na mente de quem assiste. Assim como os temas sociais e políticos da minissérie, ciente do histórico terrivelmente conectado de balas e cabeças de presidentes; há, também, uma discussão latente sobre o negacionismo dos médicos do período e de que foi uma infecção, e não o disparo, que matou Garfield. 

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