A tradutora Bérengère Viennot, com anos de experiência em discursos políticos e na esfera social dos conflitos globais, foi surpreendida em 2016. A eleição de Donald Trump mudou o paradigma global em mais maneiras do que notamos em instância única.
Falando de eventos que ocorreram antes, durante e um pouco depois do primeiro mandato do norte-americano, o livro A língua de Trump forma uma coleção de recortes e comparações por parte da francesa, que apoia-se no formato de ensaio para compor sua argumentação.
“Atrever-se a traduzir Donald Trump não é tão simples como poderia sugerir a pobreza e, às vezes, a grosseria de seu vocabulário”.

“A Declaração da Independência é a primeira formalização da realidade alternativa. Sua divulgação é a primeira fake news americana”.
Partindo de uma visão única e segmentada, a escritora cita falas do político, desenha panoramas com seus predecessores e aponta incongruências e coincidências que não passam batido por alguém tão fluente no idioma global.
Engraçada e por vezes premonitória, Viennot é contundente, multifacetada e irônica, na melhor maneira de responder aos insultos de um homem que se moldou pelo vexame e pela violência como regente mor.
“A língua de Trump gira em loop, assim como seus discursos, assim como sua reflexão e seu pensamento político, porque ele só confia em si mesmo para tomar suas decisões”.
A língua de Trump é mais densa e influente do que as palavras que saem de sua boca em discursos simples, nada pesquisados e carente de material literário que dê embasamento às opiniões e posições. Para o mal do resto do mundo, refém de um porta-voz em posição de poder inigualável, só resta analisar, rubricar e combater as labaredas de fogo com copos d’água.

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