2ª temporada de St. Denis Medical tem saúde para dar e vender

Comédia em ambiente hospitalar desabrocha e rende momentos icônicos

min de leitura

A 2ª temporada de St. Denis Medical, repetindo o mesmo número de episódios do ano de estreia, marca a expansão e a consagração da equipe gerida por Joyce (Wendi McLendon-Covey). São dezoito encontros semanais de meia-hora, com o elenco divertindo-se, irritando uns aos outros e construindo uma reputação na TV.

A comédia da NBC pavimenta sua história na criação de um centro de partos, projeto do coração de Joyce que precisa de mais trabalho e remendos antes de uma abertura prematura. Balanceando o cotidiano no trabalho com o noivado cada vez mais desgastado com Sanderson (Steve Little), a avoada protagonista é posta em situações de grave humor, como o encontro com um loser que trabalha na lanchonete e a contratação da atual de seu ex, papel da hilária Kristen Schaal.

Wendi McLendon-Covey interpreta Joyce na chave da perseverança, escondendo das câmeras os momentos de desilusão e tristeza (Foto: NBC)

A enfermeira Alex (Allison Tolman), depois de férias no Havaí, volta rapidamente ao modus operandi de doida da organização. Na atuação de Tolman, a personagem é multifacetada e repleta de falhas que a aproximam do lado mundano da trama. Mesmo vendo o marido Tim (Kyle Bornheimer) feliz da vida com uma possível nova amizade com um dos médicos do hospital, Alex faz de tudo para manter o equilíbrio e a harmonia entre o lar e o emprego.

E não é só de risos que vive St. Denis Medical, tocando em sensíveis temas como a violência contra os enfermeiros e a necessidade de impor limites entre pacientes e funcionários, com medidas de segurança e bem-estar aos profissionais que dedicam a vida ao cuidado. 

Quando os enfermeiros entram em greve, Alex precisa mediar o conflito entre sua equipe e a chefia do hospital (Foto: NBC)

O gentil e inofensivo Matt (Mekki Leeper) supera a quedinha pela colega de trabalho Serena (Kahyun Kim) e até ganha novos contornos ao ser visitado pela ex-esposa (Jessica Lowe), num episódio que revela muito do passado rural de Matt e deixa aberta a porteira para que o talento ingênuo de seu intérprete verta para um lado menos bobão e mais respeitado. 

Serena, incerta sobre a profissão e as dúvidas da juventude, embarca num romance mal resolvido com o Capelão Steve (Stephen Schneider), um personagem que perde sua aura de novidade e chega a comprar briga com o cirurgião Bruce (Josh Lawson), tudo em defesa da integridade de Matt, o enfermeiro que conquista, por bem ou por mal, o coração de todos os frequentadores da ala de emergências do hospital.

Matt e Serena cozinham em fogo lento uma aproximação romântica para lá de satisfatória (Foto: NBC)

Até mesmo saindo dos confins do hospital, a segunda temporada encontra ritmo ao expandir a mitologia dos personagens, suas relações e suas manias, receita para qualquer sitcom de sucesso. Val (Kaliko Kauahi) ganha pontos pela emoção reservada, enquanto o sempre central Ron (David Alan Grier) protagoniza romance, indecisão e um susto na reta final do ano, quando precisa de uma cirurgia de emergência.

Com mais terreno para cobrir, St. Denis Medical recruta um batalhão de atores convidados em papéis pontuais: Lauren Weedman (de Hacks e Sereias), é a ex-chefe de Alex; Alan Barinholtz, o juiz de Jury Duty, é um dos idosos atendidos pela equipe; e Sam Richardson (de Veep e Ted Lasso), vive o filho distante de Ron. O episódio 17, porém, rouba a cena como o melhor da série até aqui.

Penúltimo episódio causa dor de barriga de tantas risadas descontroladas e deveria carimbar a série em direção à temporada de premiações (Foto: NBC)

Em Here a Righteous Woman Comes, os planos de Joyce falham miseravelmente, ao passo que o roteiro de St. Denis encontra o fino contraste entre humor de primeira e drama que sustenta as piadas para amarrar todos os acontecimentos até então e, num solavanco, preparar a season finale, com Ron assumindo papel de paciente e os funcionários alvoroçados com um futuro hipotético onde o doutor não saia por cima. 

Para o bem da humanidade, We Make Time é rico em lágrimas (mas as do tipo feliz!), com a cirurgia, o resultado da tensão e uma frase final que ilumina os olhos de quem, no meio das seringas, injeções, tubos de ensaio e amostras biológicas, quer mais do lado humano, falho, romântico e por vezes tolo dos personagens de St. Denis Medical

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *