Fama, dinheiro e o carisma apoteótico de Addison Rae no último pôr do sol do Lollapalooza

O eleito pior show da edição entregou milhares de fãs extasiados, coros a plenos pulmões, presença de palco, trocas de figurinos e performances emocionantes

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O Lollapalooza desse ano foi especial. Seja para as palitas na sexta-feira, para as sáficas no sábado ou para os melancólicos que sentem a específica e solitária dor de não ter ido ao Primavera Sound 2022 e tiveram que mover mundos e fundos para estarem presentes no domingo, último e melhor dia do festival. 

O que talvez não esperavam era que, antes da headliner, teríamos o doce gosto de acompanhar uma multidão vibrante e alegre no maior show de uma menina que acabou de lançar seu primeiro álbum, o autointitulado Addison. Com um shortinho jeans e uma camiseta da seleção, cabelos ruivos soltos, um pirulito na boca e muita disposição para seus fãs, ela fez história desde que chegou ao solo brasileiro e rendeu comentários a comparando com Suzane Richthofen — que tomara que ela não tenha visto, inclusive.

Estão vendendo Addison Dollars por R$ 4,50 a unidade falsificada e até U$ 300,00 a real (Foto: Fábio Tito)

Era uma tarde ensolarada, nossa indicada a Artista Revelação no Grammy 2025 foi agraciada com o horário do pôr do sol. Começamos o show no claro e ao anoitecer e passar das músicas, vimos suas roupas mudarem e sentimos a euforia do último dia de festival aumentar como uma última golada em um delicioso drink. Que, aliás, rendeu inúmeros comentários do que o público estaria fazendo nesse mesmo horário há uma semana, como se ainda estivesse acontecendo ou como se celebraremos uma missa de sétimo dia.

Não sei se ela fala para todos, porque todos falam isso daqui, mas repetidas vezes ouvimos que seu sonho era vir ao Brasil desde criança. Sabendo que ela tem 25 anos e bebeu de todo evento que foi a construção da internet da geração Z, isso é mais que entendível. Sair das redes e ver a vibração dos shows para quem não é acostumado, e ser o motivo de toda comoção deve ser incrível. Esperamos que tenha sido.

Ainda que seus fãs não tenham sido surpreendidos pelos atos do show, já que não foram muito diferentes das outras edições do Lollapalooza no Chile ou Argentina poucos dias antes, reagimos como se fosse tudo especial e exclusivamente para nós, e de certa forma é mesmo. Desde o funk em Fame is a Gun, a faixa de abertura do show e provavelmente mais conhecida junto com Diet Pepsi, começamos com o ânimo lá em cima e não desanimamos até o final.

São faixas chicletes, refrões fáceis de decorar e ótimas para cantar em coro. A chamam de filha da Britney Spears e mesmo sendo um elogio até que um pouco exagerado, é entendível e carinhoso — e às vezes maldoso também, pelo playback. A própria artista se refere à princesa do pop com figurinos e estilos em geral. E aos amargurados, lembrem que ela está no começo da carreira, aprendendo a lidar com a fama, expectativas e haters. Ainda que tenha alcançado tudo relativamente rápido, ela bem diz que a fama é uma arma e ela atira às cegas.

O G1 elegeu o show da Addison Rae como o pior dessa edição do Lollapalooza (Foto: TV Globo)

Numa multidão tão calorosa, que cantava com todo pulmão todas as faixas de seu debut sem skips, fomos tão felizes no remix de funk de Fame is a Gun, ou no coro de can a girl have fun? de Money Is Everything, além da FOMO de ter Addison Dollars que explodiram para quem estava na grade, ou de finalmente podermos gritar no remix de von dutch. Depois ainda ficamos chorosos com Headphones On e terminamos perdendo a inocência em Diet Pepsi.

Imaginem a tristeza de desaprender a se divertir em shows tão sinceros e alegres como o da nossa menina mulher Addison Rae. Não são muitas músicas realmente, é um começo de carreira com amadorismos técnicos, no entanto, quanto isso importa? Nos emocionamos em ser o maior público dessa princesa até hoje, e mais ainda, nos emocionamos em vê-la se emocionar.

A excelência técnica de grandes shows de luzes, vocais poderosos ou mesmo telões com edições impecáveis são importantes, não tem como negarmos, mas é de uma injustiça enorme assumir que é tudo o que precisamos para ter uma boa experiência em um show. O carisma, a presença de palco, o esforço, as coreografias e o público passam na frente sem esforço na lista de essenciais, e nada disso faltou aqui.

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