Os Melhores Jogos de 2025

Da aventura ao terror, o mundo dos games trouxe títulos empolgantes e dignos de menção

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Ainda custando para ajustar as expectativas exacerbadas pelo período de crescimento da pandemia, a indústria dos videogames continua à colocar seus funcionários como sacrifícios involuntários ao ídolo do capital. Com cerca de 5 mil pessoas afetadas pelas ondas de demissão deste ano e diversos estúdios fechando as portas, as promessas começam a perder força e uma energia sinistra toma conta das projeções das publishers. Ninguém sabe quem será o próximo afetado: seriam os desenvolvedores do seu jogo favorito, ou aqueles que trabalhavam duro em projetos não anunciados e que agora nunca mais verão a luz do dia? Provavelmente ambos.

Mas nem tudo são cinzas, obviamente. O primeiro sindicato geral de desenvolvedores de jogos surgiu esse ano, cobrindo trabalhadores nos Estados Unidos e no Canadá, num claro esforço para estancar as feridas e assegurar a dignidade dessa categoria tão ignorada. Também chegou ao fim a greve de dubladores, graças à ratificação de um novo acordo pelo SAG-AFTRA, com inúmeros profissionais voltando à trabalhar novamente após quase um ano de negociações.

Devido à greve de dubladores, muitos jogos contínuos tiveram de sobreviver apenas com textos (Foto: Getty Images)

E, é claro, também tivemos jogos. Entre RPGs de turno, metroidvanias e puzzles procedurais, o que não faltou em 2025 foi inovação: franquias antigas deram as caras novamente e histórias completamente novas tiveram seu tempo para brilhar. O hobby de jogar videogame ganha cada vez mais opções de acessibilidade, ainda que a barreira econômica para praticá-lo permaneça alta. Jogos independentes cooperativos ganham cada vez mais destaque e nos conectam uns aos outros enquanto as grandes desenvolvedoras ainda estão contando a quantidade de polígonos na tela.

Por fim, a ameaça de IAs generativas no meio ganha forma, com inúmeras polêmicas envolvendo alguns dos maiores jogos do ano e o seu lugar no desenvolvimento de futuros títulos. Mesmo que a ferramenta não forneça auxílio real no desenvolvimento de videogames, parece que há uma pressão cada vez maior para a sua incorporação no fluxo de trabalho, uma onda que sem dúvidas irá ter repercussões significativas na evolução de um meio ainda tão frágil. – Gabriel Arruda

Os desenvolvedores obviamente franceses de Clair Obscur subiram ao palco do The Game Awards nove vezes, estabelecendo um novo recorde para a premiação (Foto: The Game Awards)

Os Jogos que Amamos

Não há como falar de videogame em 2025 e não começar com Clair Obscur: Expedition 33. O RPG de turnos desenvolvido por ex-funcionários da Ubisoft sob a bandeira do estúdio Sandfall dominou a conversa por meses, sendo elogiado amplamente por sua ambição narrativa e seu combate viciante, combinando elementos de JRPGs com a estética da Belle Époque e conquistando audiências muito aquém do continente europeu. Seu domínio nas premiações também trouxe à tona muitas polêmicas sobre a diferença na recepção de títulos semelhantes. Apesar dos próprios criadores do jogo proferirem seu amor incondicional por outros jogos japoneses de turnos, há o senso peculiar de que muitos dos elogios parecem vir de um lugar que encara esse gênero com escárnio, desdenhando de sua estética oriental, semelhante a de animes.

2025 foi um grande ano para a Obsidian Entertainment. Não só a segunda temporada de Fallout estreou no Prime Video, adaptando o cenário do celebrado Fallout: New Vegas, mas a desenvolvedora lançou não menos do que três projetos sob o selo do Xbox Game Studios. Com Grounded 2 ainda em early access e apesar de The Outer Worlds 2 ter sido o mais promovido pela marca, foi Avowed que roubou a cena. O RPG de fantasia do universo de Pillars of Eternity combinou o talento dos desenvolvedores para inserir seus jogadores em um universo riquíssimo e criou uma experiência intensamente imersiva, com personagens palpáveis, um combate explosivo e inúmeros níveis de variação.

Apesar de lembrar um pouco Skyrim, as cores vibrantes e a estética única de Avowed fizeram ele se diferenciar do clássico da Bethesda (Foto: Obsidian Entertainment)

Doom: The Dark Ages foi a mudança de marcha que a franquia precisava após as acrobacias alucinadas de Doom: Eternal. Um shooter medieval sobre força bruta que transforma o mítico Slayer em um tanque de guerra e entrega aos jogadores uma das experiências mais acessíveis dos últimos tempos, permitindo que qualquer um se sinta empoderado o suficiente para ir de encontro às hordas infernais. Contando a história mais cinematográfica da série até hoje, The Dark Ages é uma obra de excessos, em que você recebe um robô gigante e um dragão de estimação em apenas alguns níveis, e nós não poderíamos amá-lo mais por isso.

Após o sucesso estrondoso do remake de Silent Hill 2, as expectativas eram altas para o próximo jogo original da série, que iria transferir a cidade da América para o Japão, inaugurando um novo cenário para a franquia que redefiniu o terror psicológico nos videogames. Silent Hill f é um jogo completamente surpreendente, feroz em sua história sobre violência e mutilação, sem medo de arreganhar os dentes e nos fazer recuar diante das cenas medonhas e cruéis pelas quais sua protagonista vive. Hinako Shimizu, interpretada fenomenalmente por Konatsu Kato, é instantâneamente parte do cânone ilustre de sobreviventes que a série nos apresentou durante os anos, ficando em pé de igualdade com personagens como James Sunderland e Heather Mason. – GA

Grande terror do ano, Silent Hill f aproveita o momentum do último remake para alavancar a franquia para o futuro (Foto: Konami)

Jogos independentes dominaram o ano

Publicado nos primeiros meses do ano, em que a entrega de títulos AAA parecia tímida e, no pior dos cenários, entediante, Blue Prince chocou a indústria. Um jogo de uma desenvolvedora estreante, produzido praticamente por uma só pessoa, com gráficos e controles simples — mas que oferece uma experiência tão única, com mecânicas tão estupidamente complexas, que ninguém conseguia deixar de prestar atenção.

Aqui, você é um garoto explorando a mansão do seu tio-avô. Entretanto, cada vez que um dia se inicia, a arquitetura da casa muda completamente. O destino de cada porta é desconhecido até que você decida abrí-la, transformando esse em um jogo de puzzle roguelike diferente de qualquer projeto já realizado antes. Ainda que tenha perdido força na temporada de premiações, 2026 não teria sido o mesmo sem ele.

Blue Prince guarda muitos mistérios; mesmo após completar a missão principal, você ganha apenas uma das 16 conquistas escondidas no jogo (Foto: Raw Fury)

Enquanto isso, Hollow Knight: Silksong — o GTA VI dos jogos independentes — enfim viu a luz do dia após muitas promessas e mais de oito anos de antecipação. Uma coisa é certa: a espera valeu a pena. Protagonizado por Hornet, uma das chefonas do primeiro título, a nova empreitada da Team Cherry expande os limites do antecessor em todos os sentidos, entregando uma narrativa instigante, uma gameplay fluida e inimigos ainda mais desafiadores.

Falando em narrativa, do lado dos blockbusters, o maior contador de histórias da indústria de videogames, Hideo Kojima, atacou novamente com Death Stranding 2: On The Beach, um dos jogos mais esperados do Playstation 5. Depois de largar tudo para viver uma vida pacata com sua nova filha, Sam Porter Bridges (Norman Reedus) vê o destino o empurrando ao mesmo status quo de antes. Mas o que realmente impressiona são os gráficos: cenários diversos e paisagens naturais — que parecem mais perfeitas do que a realidade — cravam este como maior feito técnico da geração até o momento. – Enrico Souto 

“Olha essa geometria!” (Foto: Kojima Productions)

E o Jogo do Ano é…

A reputação que a Hazelight Studios alcançou nos últimos anos não foi por nada: em uma época de custos inflados e experiências multijogador focadas em microtransações, os jogos cooperativos desenvolvidos pelo estúdio sueco são um baluarte de originalidade sustentável. Sendo vendidos abaixo do preço da maioria dos grandes jogos e mesmo assim oferecendo experiências compreensivas, não é difícil ver por que seu nome está entre os mais respeitados da indústria. Após o sucesso de It Takes Two, as expectativas para Split Fiction não poderiam ser maiores e, mesmo assim, uma mera hora de gameplay já se prova um dos melhores jogos cooperativos já feitos, explodindo com ideias, mecânicas e visuais como nenhum outro título lançado esse ano.

Na nova aventura, acompanhamos duas jovens escritoras, com gênios completamente opostos, que precisam se unir para impedir que uma empresa multimilionária use de uma nova tecnologia para roubar suas ideias (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência). Inspiradas nas filhas de Josef Fares, diretor do game e fundador da Hazelight, Zoe (Elsie Bennet) e Mio (Kaja Chan) nos guiarão por uma jornada intensa através de contos de fantasia e ficção científica, cada um escrito por uma delas.

Nenhuma dessas histórias inventa a roda, mas são o pretexto perfeito para imprimir mil jogos em um só. Um Run and Gun tipo Contra? Um RPG de magia com visão isométrica? Um pinball reinventado? Tem espaço para tudo isso e muito, muito mais. A rica e vibrante linguagem do videogame, em todas as suas formas, é o que guia a narrativa e faz dessa uma experiência tanto refrescante quanto inevitavelmente nostálgica. Irônico, talvez, tendo em vista a formação de Fares no Cinema, mas o maior trunfo de Split Fiction é que é um videogame sem medo de ser videogame. – ES & GA

Split Fiction só pode ser jogado entre duas pessoas e a tela sempre será divida, seja em multiplayer online ou local (Foto: Eletronic Arts)

Não Tem Por Que Negar

Indubitavelmente o jogo mais aguardado do ano, se não da década, Grand Theft Auto VI tem sido um parto complicado para a Rockstar Games, que teve de lidar com não menos do que dois adiamentos este ano, além de estar sofrendo com a pressão por sindicalização de seus funcionários, o que resultou numa onda demissões em 2025. Seja quais forem as expectativas para o novo jogo, herdeiro de um dos legados mais prestigiosos dos videogames, esperamos que até seu lançamento (previsto para 19 de novembro deste ano) a desenvolvedora enfrente novas críticas por suas práticas anti-trabalhistas.

Outro que custa para sair (por motivos similares) é o aguardado Intergalactic: The Heretic Prophet, primeira nova IP da Naughty Dog desde The Last of Us. A produção de ficção científica, dirigida por Neil Druckmann e estrelada por Tati Gabrielle, também irá contar com trilha sonora do Trent Reznor e Atticus Ross, do Nine Inch Nails. Os detalhes do enredo ainda são escassos, com apenas um trailer de 2024 sugerindo as particularidades de seu cenário e sua protagonista. Seja como for, a desenvolvedora enfrenta novas críticas após quebrar suas promessas de reestruturação e forçar seus funcionários à fazer hora extra – coisa que o próprio Druckmann havia afirmado que não aconteceria mais. – GA

Ainda é incerto se esse é realmente o ano em que iremos retornar à infame Vice City (Foto: Rockstar Games)

O Terrível e o Estranho

Resident Evil: Requiem, nono capítulo principal da franquia de survival horror da Capcom, é um dos primeiros grandes jogos do ano, abrindo-o com o retorno de Leon S. Kennedy em uma nova aventura co-protagonizada por Grace Ashcroft, uma jovem analista do FBI que investiga desaparecimentos ligados à morte de sua mãe e a tragédia de Raccoon City. Misturando perspectivas em primeira e terceira pessoa, o título aparenta ser um ponto de convergência entre a estética de terror dos dois últimos jogos e as evoluções presentes nos remakes da série.

Mais um capítulo no universo interconectado de jogos da Remedy Entertainment, CONTROL Resonant é a sequência que todos esperávamos, feita de uma maneira que ninguém previa. Estrelando o irmão de Jesse Faden, protagonista do jogo anterior e diretora do Departamento Federal de Controle, o título assume a inusitada forma de um hack’n’slash e nos coloca para lutar no meio de uma Nova York completamente deturpada por uma entidade alienígena.

Se Ainda Não Quebrou…

Após Metal Gear Solid 3 e The Elder Scrolls IV: Oblivion, a indústria continua apostando em grandes relançamentos de títulos consagrados, com os próximos na linha sendo clássicos do gênero de terror e ação. Fatal Frame II: Crimson Butterfly e Tomb Raider: Legacy of Atlantis têm o lançamento previsto para este ano, com um sendo a reimaginação do terror japonês aos moldes de Resident Evil e Silent Hill, e o outro prometendo uma revisitação fidedigna à primeiríssima aventura de Lara Croft, reconstruída na Unreal Engine 5. Apesar de ainda não terem data confirmada, também se espera que este ano saiam mais informações sobre os remakes do primeiro Silent Hill, o The Witcher original e o spin-off Resident Evil – Code: Veronica. – GA

Fatal Frame II é protagonizado por duas gêmeas, Mio e Mayu, que precisam derrotar espíritos com a ajuda de uma câmera fotográfica mística (Foto: Koei Tecmo Games)

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